Uma multidão observa com espanto o eclipse em Nova Iorque

Como fotografar um eclipse solar

Publicado a 16 de julho de 2026 por MPB

Fotografar um eclipse solar exige preparação: o equipamento adequado, algumas medidas de segurança e um bom plano para a sessão fotográfica.

Neste guia, damos-te tudo o que precisas: o que levar, como fotografar cada fase e que erros evitar. Tudo isto com a experiência de Justin Patricolo, colega da MPB em Nova Iorque, que fotografou o eclipse solar de 2024 a partir da cidade. No final, explicamos tudo o que precisa de saber sobre o eclipse total de 12 de agosto de 2026, visível a partir de Portugal.

Imagem do Sol antes do início do eclipse

Justin Patricolo | Canon EOS R5 | Canon RF 100-500 mm f/4.5-7.1L IS USM | f/7.1 | 1/125 | ISO 1250

O que precisas de saber antes de fotografar um eclipse solar

Antes de mais, assegura-te de que tens quatro coisas essenciais: proteção para os olhos, proteção para o equipamento, o material adequado e um plano para o enquadramento. Aqui ficam algumas dicas rápidas, úteis se estiveres a ler isto no local, que iremos desenvolver ao longo do guia.

  1. Protege os olhos: só é permitido olhar diretamente para o Sol com óculos de eclipse certificados (norma ISO 12312-2).

  2. Protege o equipamento: para fotografar um eclipse solar, é necessário um filtro solar específico na frente da objetiva, a fim de proteger o sensor e conseguir a exposição correta.

  3. Câmara, objetiva, filtro e tripé: o ideal é uma câmara com controlos manuais e ecrã articulado (para não olhares diretamente pelo visor se a câmara for do tipo DSLR), uma teleobjetiva ou uma objetiva de grande zoom, um filtro solar e um tripé estável.

  4. Onde fotografar: quanto ao local, procura um sítio com uma vista ampla e desimpedida do céu, sobretudo na zona do horizonte onde o Sol nascerá. Planear bem o enquadramento é tão importante quanto ter o equipamento adequado.

  5. Composição: informa-te sobre as fases do eclipse para planeares bem a tua sessão, decidires o que queres contar e procurares elementos que deem contexto às tuas imagens.

Um grupo de pessoas a observar o eclipse solar em Nova Iorque

Justin Patricolo | Sony FX3 | Sony FE 24-70mm f/2.8 GM | f/2.8 | 1/50 | ISO 800

O que é um eclipse solar e porque é difícil fotografá-lo

Um eclipse solar ocorre quando a Lua se posiciona entre a Terra e o Sol, ocultando total ou parcialmente o disco solar, visto da Terra. Existem três tipos principais de eclipses solares: totais, anulares e parciais. Fotografá-los é um desafio técnico, mesmo para fotógrafos experientes.

A dificuldade reside no forte contraste de luz e na brevíssima janela para captar a sua totalidade. Isto obriga-te a dominar o modo manual, a compreender a exposição e a saber o que fazer em cada fase.

Ao contrário dos eclipses lunares, nunca deves olhar diretamente para um eclipse solar nem fotografá-lo sem proteção adequada. Tal pode danificar os teus olhos e o sensor da câmara, pelo que deves usar filtros solares específicos para fotografar este espetacular fenómeno astronómico.

Início da primeira fase: a Lua começa a encobrir a borda do Sol

Justin Patricolo | Canon EOS R5 | Canon RF 100-500 mm f/4.5-7.1L IS USM | f/7.1 | 1/125 | ISO 800

Fases de um eclipse solar e que fotografias podes tirar em cada uma

O eclipse tem várias fases, cada uma das quais requer uma abordagem diferente. Conhecê-las ajuda-te a decidir que fotografias pretendes capturar e quando terás de ajustar o equipamento. Aqui está o que acontece, e o que podes fotografar, desde o primeiro até ao quarto contacto.

Primeiro contacto: a Lua começa a sobrepor-se visualmente ao Sol. Podes começar a fotografar a progressão do eclipse com uma teleobjetiva e um filtro solar apropriado.

Fase parcial: a Lua vai cobrindo, pouco a pouco, uma porção cada vez maior do Sol. Este é um bom momento para tirar várias fotografias a partir do mesmo enquadramento ou para procurar sombras em forma de meia-lua projetadas no chão.

Grãos de Baily e Anel de diamante: mesmo antes da totalidade, a luz solar filtra-se pelo relevo irregular do bordo lunar, surgindo pequenos pontos brilhantes. Quando resta um último clarão intenso, ocorre o fenómeno conhecido como "Anel de diamante". Trata-se de momentos muito breves, por isso, é conveniente ter tudo preparado.

Segundo contacto: marca o início da fase total. Nesta fase, a Lua cobre por completo o disco solar e começa a ser visível a coroa. Só então, e se estiveres dentro da faixa de totalidade, podes retirar o filtro solar da objetiva.

Totalidade: aparece a coroa solar e o ambiente muda em segundos, ou seja, a luz diminui, a temperatura pode descer e podem ver-se algumas estrelas brilhantes. Além do Sol, podes fotografar a paisagem, a luz peculiar do momento e as reações das pessoas.

Terceiro contacto: Terceiro contacto: marca o fim da totalidade. À medida que a Lua começa a descobrir novamente o Sol, podem reaparecer os grãos de Baily e o anel de diamante. Assim que a luz solar reaparecer, volta a colocar o filtro.

Última fase parcial e quarto contacto: Última fase parcial e quarto contacto: a Lua continuará a deslocar-se até deixar de cobrir o Sol. Podes então completar a tua sequência e fotografar o ambiente a regressar gradualmente à normalidade.

Que equipamento precisas

O que realmente faz a diferença são a objetiva e os acessórios, e não tanto o corpo da máquina. Não é necessário adquirires uma câmara topo de gama, como a Sony A1 II: qualquer DSLR ou mirrorless com controlos manuais serve. O mais importante é teres uma boa teleobjetiva, um filtro solar específico e um tripé estável.

Se quiseres algumas sugestões de corpo de máquina, podes usar uma DSLR profissional, como a Nikon D850, ou uma opção mais acessível, como a Nikon D7500 ou a Canon EOS 250D. No que se refere a máquinas mirrorless, um modelo bastante profissional seria a Sony A7R V, mas consoante o teu orçamento, também podes optar por uma Fujifilm X-T5 ou uma Sony A6600. Todos estes modelos têm em comum um ecrã articulado e mais de 24 megapíxeis. Lembra-te de que, com uma DSLR, não deves olhar diretamente pelo visor.

No entanto, o mais importante ao fotografar um eclipse são as objetivas. Uma teleobjetiva é uma objetiva com uma distância focal longa, concebida para aproximar objetos distantes dentro do enquadramento. Essa distância focal, medida em milímetros, determina o quão próxima a cena aparece: quanto maior a distância focal, maior o eclipse aparece na imagem. Se pretendes captar parte do que te rodeia, para além do eclipse, por exemplo, a paisagem ou um edifício, podes utilizar uma objetiva de 24-70 mm ou de 24-105 mm. Porém, se pretenderes que o eclipse domine a fotografia, uma objetiva zoom entre 200 e 800 mm será a tua grande aliada.

Para a Canon, uma boa opção é a Canon RF 200-800mm f/6.3-9 IS; para a Nikon, a Nikon Nikkor Z 180-600mm f/5.6-6.3 VR; e a Tamron SP 150-600 mm f/5-6.3 Di VC USD G2 é compatível com as duas marcas, Canon e Nikon. Para a Sony, há a Sony FE 400-800mm f/6.3-8 G OSS, a Fujifilm XF 150-600mm f/5.6-8 R LM OIS WR para a Fujifilm e a Sigma 150-600mm f/5-6.3 DG OS HSM, que é versátil.

E se tiveres uma câmara bridge à mão? Também a podes pôr à prova se tiver um zoom tão potente quanto o da Sony RX100 Mark IV. Não obterás os mesmos resultados, mas podes tirar partido desse alcance. Para comparar modelos, consulta o nosso guia das melhores câmaras bridge.

Outro acessório indispensável é um tripé. Como já explicámos, vais querer mover a câmara o menos possível, por isso, o tripé será o teu maior aliado para acompanhar as mudanças de luz durante o eclipse. Se ainda não tens um, podes encontrar modelos de viagem compactos em segunda mão na MPB, como o Tripé de viagem Peak Design - Fibra de Carbono ou o Manfrotto Befree Adv Camo.

Para além do corpo da máquina, da objetiva e do tripé, é necessário um filtro solar específico. Vemos isso em pormenor já a seguir.

Eclipse solar parcial

Justin Patricolo | Canon EOS R5 | Canon RF 100-500 mm f/4.5-7.1L IS USM | f/7.1 | 1/125 | ISO 800

Que filtros solares deves usar

É necessário um filtro solar específico à frente da objetiva (não serve qualquer filtro fotográfico). Existem filtros ND extremos para fotografia solar, como o ND1000000, que não deves confundir com os filtros ND utilizados em fotografia de paisagem ou de longa exposição.

Os preços variam, por isso, vale a pena pensares se o vais querer usar mais do que uma vez ou se se trata de algo pontual, antes de decidires investir. Se for apenas para este eclipse, há opções mais económicas: filtros solares mais simples com suporte de cartão ou película solar montada. De facto, foi um filtro deste tipo que o nosso colega Justin usou na sessão do eclipse de 2024 em Nova Iorque, obtendo excelentes resultados.

O filtro solar deve permanecer sempre à frente da objetiva. Só o podes retirar durante a totalidade, quando a Lua cobre por completo o disco solar. Como esse momento dura muito pouco, convém ter os tempos bem claros de antemão: só o deves retirar quando a totalidade começar e deves voltar a colocá-lo assim que reaparecer o primeiro ponto de luz solar.

Que definições usar para fotografar e gravar um eclipse solar

Não existe uma combinação perfeita de definições, visto que esta depende do filtro solar, da luz, da distância focal e da câmara utilizada. Como ponto de partida, trabalha no modo manual, dispara em RAW e começa com um ISO baixo, por exemplo, 100 ou 200. A partir daí, ajusta a exposição até o sol manter o detalhe e não parecer queimado.

Durante a sessão em Nova Iorque, Justin obteve os melhores resultados com f/7, 1/125 s e ISO 800 a 500 mm. Ele aconselha-te a ajustares a exposição conforme o que vês no ecrã: se o Sol aparecer demasiado brilhante e perder detalhes, aumenta a velocidade, fecha um pouco mais a abertura ou baixa o ISO; se a imagem ficar demasiado escura, faz o contrário.

Para gravar o eclipse em vídeo, Justin abordá-lo-ia como um time-lapse. Usaria uma câmara como a Sony FX3, capaz de gravar longos períodos em 4K e em S-Log3, um perfil de cor plano que permite um maior controlo da cor na pós-produção. A ideia seria semelhante à das fotografias: objetiva longa, filtro solar e câmara a gravar durante todo o eclipse, para acelerar o material na fase de pós-produção.

A parte mais delicada está na exposição. Nos vídeos, tens menos flexibilidade com a velocidade do obturador, pois esta deve normalmente acompanhar os fotogramas por segundo. Ao gravar a 24 fps, Justin trabalharia com uma velocidade de obturação de cerca de 1/48 s ou 1/50 s, ou com um ângulo de obturação de 180° (se a câmara o permitir). Para compensar, fecharia mais a abertura, provavelmente entre f/11 e f/16, ou ajustaria o ISO consoante a luz disponível. Desta forma, conseguiria manter uma exposição equilibrada durante todo o eclipse e criar o time-lapse na edição.

A Lua encobre quase totalmente o Sol

Justin Patricolo | Canon EOS R5 | Canon RF 100-500 mm f/4.5-7.1L IS USM | f/7.1 | 1/80 | ISO 800

Exemplo: como se fotografou o eclipse solar de Nova Iorque

O fotógrafo Justin fotografou o eclipse solar de 2024 a partir de Nova Iorque, utilizando uma Canon EOS R5 e uma Canon RF 100-500mm f/4.5-7.1L IS. As suas escolhas podem servir de guia para te preparares para o próximo eclipse. Se trabalhas com uma câmara da Canon e pretendes comparar mais opções para a astrofotografia, o nosso guia de objetivas Canon EF pode dar-te algumas ideias para futuras sessões fotográficas.

Quanto ao filtro, o Justin comprou um filtro solar económico online por cerca de 30€. Tratava-se de um filtro com corpo de cartão e lente específica para fotografar eclipses. Fixou-o à objetiva com fita adesiva para garantir que permanecesse firme durante a sessão e não teve quaisquer problemas. Depois, fixou a câmara ao tripé para manter a estabilidade da câmara e do enquadramento.

A combinação funcionou muito bem, embora o Justin tenha ficado com vontade de usar uma focagem mais longa. Com algo à volta dos 700-800 mm, teria conseguido preencher mais o enquadramento, aproximar-se melhor dos detalhes do Sol e fazer o recorte com mais liberdade. Ainda assim, os 45 MP da R5 deram-lhe margem mais do que suficiente para trabalhar a imagem em edição; essa resolução fez a diferença.

Nas melhores imagens, trabalhou com f/7, 1/125 s e ISO 800, embora tenha também oscilado entre 1/100 e 1/250 s e entre ISO 500 e 800, consoante a fotografia. Como vimos, não se trata de uma receita universal, mas é um bom exemplo de como equilibrou a abertura, a velocidade e o ISO ao longo da sessão.

Durante a sessão, também experimentaram gravar vídeo, mas ele aconselha a não tentares cobrir tudo se for a primeira vez que fotografas um eclipse. O vídeo exige mais controlo do que a fotografia, por isso, pode fazer mais sentido garantir primeiro boas fotografias e só depois complicares com um time-lapse.

Além da fotografia do Sol, Justin capturou também tudo o que se passava à sua volta: as pessoas a olhar para o céu, os tripés no parque e a luz peculiar do momento. No fim, uma imagem que mostre como a experiência foi vivida pode ter tanta força como uma fotografia tecnicamente perfeita.

Uma multidão observa com espanto o eclipse em Nova Iorque

Justin Patricolo | Sony FX3 | Sony FE 24-70 mm f/2.8 GM | f/2.8 | 1/50 | ISO 800

O que deves saber sobre o eclipse de 2026 em Portugal

A 12 de agosto de 2026, Portugal assistirá a um eclipse total do Sol, o primeiro em mais de um século, desde 1912. A totalidade do fenómeno só será visível a partir de um ponto do país: o Parque Natural de Montesinho, no nordeste transmontano, no distrito de Bragança. No resto do território, o eclipse será parcial, mas ainda assim impressionante. O próximo eclipse total só voltará a ser visível em Portugal em 2144.

A estreita faixa de totalidade atravessa o Ártico, a Gronelândia, a Islândia e o norte de Espanha, "roçando" apenas o canto nordeste de Portugal, junto à fronteira, no Parque Natural de Montesinho. Neste local, a totalidade dura apenas cerca de 26 segundos, por volta das 19h30 (hora local). Fora dessa faixa, o obscurecimento será muito elevado: cerca de 98% no Porto, 94,5% em Lisboa e 92,7% em Faro. Nos Açores e na Madeira, ronda os 74% e os 77%.

Um pormenor importante a ter em conta ao planeares as tuas fotografias: em Portugal, o eclipse acontece ao fim da tarde, quase ao pôr do sol. Isto significa que o Sol estará muito baixo, perto do horizonte oeste. Ou seja, para capturar o eclipse em todo o seu esplendor, precisarás de uma vista completamente desimpedida para oeste, sem árvores ou edifícios a obstruir a linha do horizonte.

Se estiveres em Portugal e quiseres encontrar o melhor local nas proximidades, a plataforma nacional eclipse2026.pt, dinamizada pela Ciência Viva, disponibiliza mapas com a percentagem de ocultação e a hora do eclipse por região, bem como as atividades e sessões de observação organizadas por todo o país.

Não te esqueças também da logística. Muitos dos melhores pontos de observação, sobretudo na zona de totalidade em Trás-os-Montes, ficam em áreas remotas, o que implica deslocação e planeamento antecipado, nomeadamente em termos de transporte e alojamento, bem como chegar cedo ao local. A cidade de Bragança fica muito próxima da faixa de totalidade, mas não dentro dela: a ocultação chega aos 99,9%, sem atingir a totalidade. Se a totalidade for mesmo o teu objetivo, uma alternativa é atravessar a fronteira para o norte de Espanha (Galiza e Castela e Leão), onde a faixa é muito mais larga e a escuridão total dura mais tempo.

E, como se um eclipse ao pôr do sol não bastasse, a noite de 12 de agosto reserva outra surpresa para os amantes da astrofotografia: as Perseidas. Como os eclipses solares acontecem em lua nova, terás um céu mais escuro para observares a chuva de meteoros após o eclipse.

Perguntas frequentes

Mas, afinal, o que é um eclipse solar?

É um fenómeno que ocorre quando a Lua se coloca entre a Terra e o Sol, tapando total ou parcialmente o disco solar, visto a partir da Terra.

Quando ocorrerá o eclipse solar de 2026?

O eclipse solar ocorrerá a 12 de agosto de 2026.

Onde se poderá observar o eclipse solar de 2026 em Portugal?

O eclipse total só será visível no Parque Natural de Montesinho, em Bragança, durante cerca de 26 segundos. No resto de Portugal continental, será visível um eclipse parcial, com uma ocultação entre 92% e 99%. Nos Açores e na Madeira, a ocultação será entre 74% e 77%.

Como fotografar um eclipse solar pela primeira vez?

Planeia o local onde queres fotografar, usa uma câmara com controlos manuais, um filtro solar frontal específico para eclipses e trabalha com um tripé.

Que filtro é necessário para fotografar um eclipse solar?

É necessário um filtro solar específico colocado à frente da objetiva. Pode ser um filtro solar frontal, uma película solar bem montada ou um filtro ND extremo concebido para fotografar o Sol.

Posso usar o visor da máquina fotográfica para fotografar um eclipse solar?

Se usares uma DSLR, evita olhar pelo visor ótico com a câmara apontada para o Sol, pois é mais seguro trabalhar com o ecrã. Se usares uma câmara mirrorless, já podes usar o visor eletrónico. Em qualquer dos casos, deves sempre usar um filtro certificado à frente da objetiva.

Podes ler mais dicas e técnicas no blog oficial da MPB.

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