Uma multidão observa com espanto o eclipse em Nova Iorque

Como fotografar um eclipse solar

Publicado a 4 de setembro de 2026 por MPB

Fotografar um eclipse solar exige preparação: o equipamento adequado, algumas medidas de segurança e um bom plano para a sessão fotográfica.

Neste guia, damos-te tudo o que precisas: o que levar, como fotografar cada fase e que erros evitar. Tudo isto com a experiência de Justin Patricolo, colega da MPB em Nova Iorque, que fotografou o eclipse solar de 2024 a partir da cidade. No final, explicamos tudo o que precisas de saber sobre o próximo eclipse, que ocorrerá já no próximo ano e será visível perto de Portugal, mais concretamente a sul de Espanha.

Imagem do Sol antes do início do eclipse

Justin Patricolo | Canon EOS R5 | Canon RF 100-500 mm f/4.5-7.1L IS USM | f/7.1 | 1/125 | ISO 1250

O que precisas de saber antes de fotografar um eclipse solar

Antes de mais, assegura-te de que tens quatro coisas essenciais: proteção para os olhos, proteção para o equipamento, o material adequado e um plano para o enquadramento. Aqui ficam algumas dicas rápidas, úteis se estiveres a ler isto no local, que iremos desenvolver ao longo do guia.

  1. Protege os olhos: só é permitido olhar diretamente para o Sol com óculos de eclipse certificados (norma ISO 12312-2).

  2. Protege o equipamento: para fotografar um eclipse solar, é necessário um filtro solar específico na frente da objetiva, a fim de proteger o sensor e conseguir a exposição correta.

  3. Câmara, objetiva, filtro e tripé: o ideal é uma câmara com controlos manuais e ecrã articulado (para não olhares diretamente pelo visor se a câmara for do tipo DSLR), uma teleobjetiva ou uma objetiva de grande zoom, um filtro solar e um tripé estável.

  4. Onde fotografar: quanto ao local, procura um sítio com uma vista ampla e desimpedida do céu, sobretudo na zona do horizonte onde o Sol nascerá. Planear bem o enquadramento é tão importante quanto ter o equipamento adequado.

  5. Composição: informa-te sobre as fases do eclipse para planeares bem a tua sessão, decidires o que queres contar e procurares elementos que deem contexto às tuas imagens.

Um grupo de pessoas a observar o eclipse solar em Nova Iorque

Justin Patricolo | Sony FX3 | Sony FE 24-70mm f/2.8 GM | f/2.8 | 1/50 | ISO 800

O que é um eclipse solar e porque é difícil fotografá-lo

Um eclipse solar ocorre quando a Lua se posiciona entre a Terra e o Sol, ocultando total ou parcialmente o disco solar, visto da Terra. Existem três tipos principais de eclipses solares: totais, anulares e parciais. Fotografá-los é um desafio técnico, mesmo para fotógrafos experientes.

A dificuldade reside no forte contraste de luz e na brevíssima janela para captar a sua totalidade. Isto obriga-te a dominar o modo manual, a compreender a exposição e a saber o que fazer em cada fase.

Ao contrário dos eclipses lunares, nunca deves olhar diretamente para um eclipse solar nem fotografá-lo sem proteção adequada. Tal pode danificar os teus olhos e o sensor da câmara, pelo que deves usar filtros solares específicos para fotografar este espetacular fenómeno astronómico.

Início da primeira fase: a Lua começa a encobrir a borda do Sol

Justin Patricolo | Canon EOS R5 | Canon RF 100-500 mm f/4.5-7.1L IS USM | f/7.1 | 1/125 | ISO 800

Fases de um eclipse solar e que fotografias podes tirar em cada uma

O eclipse tem várias fases, cada uma das quais requer uma abordagem diferente. Conhecê-las ajuda-te a decidir que fotografias pretendes capturar e quando terás de ajustar o equipamento. Aqui está o que acontece, e o que podes fotografar, desde o primeiro até ao quarto contacto.

Primeiro contacto: a Lua começa a sobrepor-se visualmente ao Sol. Podes começar a fotografar a progressão do eclipse com uma teleobjetiva e um filtro solar apropriado.

Fase parcial: a Lua vai cobrindo, pouco a pouco, uma porção cada vez maior do Sol. Este é um bom momento para tirar várias fotografias a partir do mesmo enquadramento ou para procurar sombras em forma de meia-lua projetadas no chão.

Grãos de Baily e Anel de diamante: mesmo antes da totalidade, a luz solar filtra-se pelo relevo irregular do bordo lunar, surgindo pequenos pontos brilhantes. Quando resta um último clarão intenso, ocorre o fenómeno conhecido como "Anel de diamante". Trata-se de momentos muito breves, por isso, é conveniente ter tudo preparado.

Segundo contacto: marca o início da fase total. Nesta fase, a Lua cobre por completo o disco solar e começa a ser visível a coroa. Só então, e se estiveres dentro da faixa de totalidade, podes retirar o filtro solar da objetiva.

Totalidade: aparece a coroa solar e o ambiente muda em segundos, ou seja, a luz diminui, a temperatura pode descer e podem ver-se algumas estrelas brilhantes. Além do Sol, podes fotografar a paisagem, a luz peculiar do momento e as reações das pessoas.

Terceiro contacto: Terceiro contacto: marca o fim da totalidade. À medida que a Lua começa a descobrir novamente o Sol, podem reaparecer os grãos de Baily e o anel de diamante. Assim que a luz solar reaparecer, volta a colocar o filtro.

Última fase parcial e quarto contacto: Última fase parcial e quarto contacto: a Lua continuará a deslocar-se até deixar de cobrir o Sol. Podes então completar a tua sequência e fotografar o ambiente a regressar gradualmente à normalidade.

Que equipamento precisas

O que realmente faz a diferença são a objetiva e os acessórios, e não tanto o corpo da máquina. Não é necessário adquirires uma câmara topo de gama, como a Sony A1 II: qualquer DSLR ou mirrorless com controlos manuais serve. O mais importante é teres uma boa teleobjetiva, um filtro solar específico e um tripé estável.

Se quiseres algumas sugestões de corpo de máquina, podes usar uma DSLR profissional, como a Nikon D850, ou uma opção mais acessível, como a Nikon D7500 ou a Canon EOS 250D. No que se refere a máquinas mirrorless, um modelo bastante profissional seria a Sony A7R V, mas consoante o teu orçamento, também podes optar por uma Fujifilm X-T5 ou uma Sony A6600. Todos estes modelos têm em comum um ecrã articulado e mais de 24 megapíxeis. Lembra-te de que, com uma DSLR, não deves olhar diretamente pelo visor.

No entanto, o mais importante ao fotografar um eclipse são as objetivas. Uma teleobjetiva é uma objetiva com uma distância focal longa, concebida para aproximar objetos distantes dentro do enquadramento. Essa distância focal, medida em milímetros, determina o quão próxima a cena aparece: quanto maior a distância focal, maior o eclipse aparece na imagem. Se pretendes captar parte do que te rodeia, para além do eclipse, por exemplo, a paisagem ou um edifício, podes utilizar uma objetiva de 24-70 mm ou de 24-105 mm. Porém, se pretenderes que o eclipse domine a fotografia, uma objetiva zoom entre 200 e 800 mm será a tua grande aliada.

Para a Canon, uma boa opção é a Canon RF 200-800mm f/6.3-9 IS; para a Nikon, a Nikon Nikkor Z 180-600mm f/5.6-6.3 VR; e a Tamron SP 150-600 mm f/5-6.3 Di VC USD G2 é compatível com as duas marcas, Canon e Nikon. Para a Sony, há a Sony FE 400-800mm f/6.3-8 G OSS, a Fujifilm XF 150-600mm f/5.6-8 R LM OIS WR para a Fujifilm e a Sigma 150-600mm f/5-6.3 DG OS HSM, que é versátil.

E se tiveres uma câmara bridge à mão? Também a podes pôr à prova se tiver um zoom tão potente quanto o da Sony RX10 Mark IV IR. Não obterás os mesmos resultados, mas podes tirar partido desse alcance. Para comparar modelos, consulta o nosso guia das melhores câmaras bridge.

Outro acessório indispensável é um tripé. Como já explicámos, vais querer mover a câmara o menos possível, por isso, o tripé será o teu maior aliado para acompanhar as mudanças de luz durante o eclipse. Se ainda não tens um, podes encontrar modelos de viagem compactos em segunda mão na MPB, como o Tripé de viagem Peak Design - Fibra de Carbono ou o Manfrotto Befree Adv Camo.

Para além do corpo da máquina, da objetiva e do tripé, é necessário um filtro solar específico. Vemos isso em pormenor já a seguir.

Eclipse solar parcial

Justin Patricolo | Canon EOS R5 | Canon RF 100-500 mm f/4.5-7.1L IS USM | f/7.1 | 1/125 | ISO 800

Que filtros solares deves usar

É necessário um filtro solar específico à frente da objetiva (não serve qualquer filtro fotográfico). Existem filtros ND extremos para fotografia solar, como o ND1000000, que não deves confundir com os filtros ND utilizados em fotografia de paisagem ou de longa exposição.

Os preços variam, por isso, vale a pena pensares se o vais querer usar mais do que uma vez ou se se trata de algo pontual, antes de decidires investir. Se for apenas para este eclipse, há opções mais económicas: filtros solares mais simples com suporte de cartão ou película solar montada. De facto, foi um filtro deste tipo que o nosso colega Justin usou na sessão do eclipse de 2024 em Nova Iorque, obtendo excelentes resultados.

O filtro solar deve permanecer sempre à frente da objetiva. Só o podes retirar durante a totalidade, quando a Lua cobre por completo o disco solar. Como esse momento dura muito pouco, convém ter os tempos bem claros de antemão: só o deves retirar quando a totalidade começar e deves voltar a colocá-lo assim que reaparecer o primeiro ponto de luz solar.

Que definições usar para fotografar e gravar um eclipse solar

Não existe uma combinação perfeita de definições, visto que esta depende do filtro solar, da luz, da distância focal e da câmara utilizada. Como ponto de partida, trabalha no modo manual, dispara em RAW e começa com um ISO baixo, por exemplo, 100 ou 200. A partir daí, ajusta a exposição até o sol manter o detalhe e não parecer queimado.

Durante a sessão em Nova Iorque, Justin obteve os melhores resultados com f/7, 1/125 s e ISO 800 a 500 mm. Ele aconselha-te a ajustares a exposição conforme o que vês no ecrã: se o Sol aparecer demasiado brilhante e perder detalhes, aumenta a velocidade, fecha um pouco mais a abertura ou baixa o ISO; se a imagem ficar demasiado escura, faz o contrário.

Para gravar o eclipse em vídeo, Justin abordá-lo-ia como um time-lapse. Usaria uma câmara como a Sony FX3, capaz de gravar longos períodos em 4K e em S-Log3, um perfil de cor plano que permite um maior controlo da cor na pós-produção. A ideia seria semelhante à das fotografias: objetiva longa, filtro solar e câmara a gravar durante todo o eclipse, para acelerar o material na fase de pós-produção.

A parte mais delicada está na exposição. Nos vídeos, tens menos flexibilidade com a velocidade do obturador, pois esta deve normalmente acompanhar os fotogramas por segundo. Ao gravar a 24 fps, Justin trabalharia com uma velocidade de obturação de cerca de 1/48 s ou 1/50 s, ou com um ângulo de obturação de 180° (se a câmara o permitir). Para compensar, fecharia mais a abertura, provavelmente entre f/11 e f/16, ou ajustaria o ISO consoante a luz disponível. Desta forma, conseguiria manter uma exposição equilibrada durante todo o eclipse e criar o time-lapse na edição.

A Lua encobre quase totalmente o Sol

Justin Patricolo | Canon EOS R5 | Canon RF 100-500 mm f/4.5-7.1L IS USM | f/7.1 | 1/80 | ISO 800

Exemplo: como se fotografou o eclipse solar de Nova Iorque

O fotógrafo Justin fotografou o eclipse solar de 2024 a partir de Nova Iorque, utilizando uma Canon EOS R5 e uma Canon RF 100-500mm f/4.5-7.1L IS. As suas escolhas podem servir de guia para te preparares para o próximo eclipse. Se trabalhas com uma câmara da Canon e pretendes comparar mais opções para a astrofotografia, o nosso guia de objetivas Canon EF pode dar-te algumas ideias para futuras sessões fotográficas.

Quanto ao filtro, o Justin comprou um filtro solar económico online por cerca de 30€. Tratava-se de um filtro com corpo de cartão e lente específica para fotografar eclipses. Fixou-o à objetiva com fita adesiva para garantir que permanecesse firme durante a sessão e não teve quaisquer problemas. Depois, fixou a câmara ao tripé para manter a estabilidade da câmara e do enquadramento.

O vídeo mostra como a equipa se preparou e qual foi o resultado final:

https://youtu.be/jSQIp2xmx0E?feature=sharerel=0

A combinação funcionou muito bem, embora o Justin tenha ficado com vontade de usar uma focagem mais longa. Com algo à volta dos 700-800 mm, teria conseguido preencher mais o enquadramento, aproximar-se melhor dos detalhes do Sol e fazer o recorte com mais liberdade. Ainda assim, os 45 MP da R5 deram-lhe margem mais do que suficiente para trabalhar a imagem em edição; essa resolução fez a diferença.

Nas melhores imagens, trabalhou com f/7, 1/125 s e ISO 800, embora tenha também oscilado entre 1/100 e 1/250 s e entre ISO 500 e 800, consoante a fotografia. Como vimos, não se trata de uma receita universal, mas é um bom exemplo de como equilibrou a abertura, a velocidade e o ISO ao longo da sessão.

Durante a sessão, também experimentaram gravar vídeo, mas ele aconselha a não tentares cobrir tudo se for a primeira vez que fotografas um eclipse. O vídeo exige mais controlo do que a fotografia, por isso, pode fazer mais sentido garantir primeiro boas fotografias e só depois complicares com um time-lapse.

Além da fotografia do Sol, Justin capturou também tudo o que se passava à sua volta: as pessoas a olhar para o céu, os tripés no parque e a luz peculiar do momento. No fim, uma imagem que mostre como a experiência foi vivida pode ter tanta força como uma fotografia tecnicamente perfeita.

Uma multidão observa com espanto o eclipse em Nova Iorque

Justin Patricolo | Sony FX3 | Sony FE 24-70 mm f/2.8 GM | f/2.8 | 1/50 | ISO 800

O que deves saber sobre o "eclipse do século" em 2027

O próximo eclipse solar ocorrerá em 2 de agosto de 2027 e será conhecido como o "eclipse do século" devido à sua duração invulgar, cerca de seis minutos e 23 segundos em algumas zonas de observação. Desta vez, no entanto, a faixa da totalidade não passará por Portugal, atravessando o extremo sul de Espanha, incluindo Cádis e Gibraltar, seguindo depois para o norte de África e a Península Arábica, terminando no Oceano Índico.

Ainda assim, quem estiver em Portugal poderá observar a Lua a cruzar-se com o Sol, embora apenas em forma de eclipse parcial. Em Lisboa, o fenómeno ocorrerá entre as 8h40 e as 10h55, com uma obscuridade máxima de cerca de 92%. No Porto, a experiência será ligeiramente menos intensa, com o pico a ocorrer por volta das 9h46.

Os habitantes da Madeira terão a melhor oportunidade de observação em Portugal: entre as 8h33 e as 10h44, a obscuridade atingirá quase 97%, o valor mais próximo da totalidade em território nacional. No entanto, tecnicamente, continua a ser classificado como eclipse parcial.

Para confirmares os horários exatos para na tua região ou acompanhares a evolução do eclipse, aconselhamos a consultares o mapa interativo do TimeAndDate ou os dados oficiais divulgados pela Agência Espacial Europeia (ESA).

Perguntas frequentes

Mas, afinal, o que é um eclipse solar?

É um fenómeno que ocorre quando a Lua se coloca entre a Terra e o Sol, tapando total ou parcialmente o disco solar, visto a partir da Terra.

Quando ocorrerá o eclipse solar em 2027?

O eclipse solar ocorrerá a 2 de agosto de 2027.

Onde se poderá observar o eclipse solar de 2027?

O eclipse total será visível no extremo sul de Espanha (por exemplo, em Cádiz e em Gibraltar), no norte de África e na Península Arábica. Em Portugal, incluindo a Madeira, só será possível observá-lo como eclipse parcial.

Como fotografar um eclipse solar pela primeira vez?

Planeia o local onde queres fotografar, usa uma câmara com controlos manuais, um filtro solar frontal específico para eclipses e trabalha com um tripé.

Que filtro é necessário para fotografar um eclipse solar?

É necessário um filtro solar específico colocado à frente da objetiva. Pode ser um filtro solar frontal, uma película solar bem montada ou um filtro ND extremo concebido para fotografar o Sol.

Posso usar o visor da máquina fotográfica para fotografar um eclipse solar?

Se usares uma DSLR, evita olhar pelo visor ótico com a câmara apontada para o Sol, pois é mais seguro trabalhar com o ecrã. Se usares uma câmara mirrorless, já podes usar o visor eletrónico. Em qualquer dos casos, deves sempre usar um filtro certificado à frente da objetiva.

Podes ler mais dicas e técnicas no blog oficial da MPB.

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