Um waffle num prato, coberto com laranjas e creme, fotografado por Bea Lubas com a Canon EOS R5.

Fotografia Gastronómica: 11 Dicas Essenciais

Publicado a 4 de março de 2026 por MPB

Qual é a melhor forma de fotografar comida? Talvez gostes simplesmente de registar os pratos que preparas em casa, ou talvez estejas a dar os primeiros passos como fotógrafo(a) de gastronomia e queiras evoluir para um nível mais profissional. Independentemente do motivo, prometemos que este guia de fotografia vai ser muito útil para ti.

Pois é, não há nada mais frustrante do que teres uma receita deliciosa à tua frente, pegares na câmara e perceberes que a fotografia não faz justiça ao que tens no prato. Ao vivo, temos o aroma, a textura, o som e, claro, o sabor. Na fotografia, tudo isso tem de ser transmitido apenas através do detalhe visual.

Neste artigo, a premiada fotógrafa gastronómica e embaixadora da Adobe Lightroom, Bea Lubas, autora de "How to Photograph Food" (2020), partilha as melhores dicas para criares imagens mais apelativas: desde escolha de equipamento fotográfico, controlo de luz, composição e técnicas de edição, que te ajudarão a fotografares comida de forma mais interessante.

Se queres melhorar as tuas fotografias gastronómicas, começa por aqui.

Um figo fatiado numa tigela azul escura, fotografado por Bea Lubas com a Canon EOS R5.

Bea Lubas | Canon EOS R5| Canon RF 100mm f/2.8 L IS USM | 100mm | f/6.3 | 1/25 | ISO 500

1. Atenção à distorção

A objetiva que escolheres terá um impacto significativo no resultado final. Uma objetiva grande angular (35 mm) ou uma objetiva standard (50 mm) funcionam bem para cenas de mesa mais amplas. Pode haver alguma distorção, mas esta é geralmente fácil de corrigir na fase de pós-produção.

Quanto mais te aproximares do motivo com estas objetivas, maior será a distorção. Elementos inclinados, desproporcionais ou que visualmente distraem o olhar podem comprometer a imagem e nem sempre é possível recuperá-la posteriormente.

Experimenta:

  • Afasta os elementos das margens do enquadramento;

  • Recuar ligeiramente com a câmara;

  • Utiliza uma teleobjetiva curta (85 mm ou 100 mm).

Como a comida é um motivo relativamente pequeno, uma teleobjetiva curta ajuda a manter as proporções naturais e a criar uma agradável profundidade de campo reduzida.

Um bolo com cobertura de glacé sobre uma mesa, fotografado por Bea Lubas com uma Canon EOS 5D Mark IV.

Bea Lubas | Canon EOS 5D Mark IV | Sigma 50mm f/1.4 DG HSM ART | 50mm |  f/3.2 | 1/25 | ISO 320

2. Usa tripé e tethering para maior controlo criativo

Um tripé robusto faz toda a diferença, no momento de montares uma composição de alimentos. Embora no início possa parecer que abranda o processo, mas, na prática, vai-te poupar tempo (irás compreender isto com a experiência neste ramo fotográfico).

Com a câmara fixa, podes ajustar a composição com calma e afinar cada detalhe. Alguns tripés incluem um braço horizontal, o que é ideal para fotografias de objetos dispostos horizontalmente. Não te esqueças de garantir sempre que o tripé esteja bem equilibrado e seguro.

Outra ferramenta poderosa é a ligação em tethering com live view. Ao ligares a câmara a um portátil, tablet ou smartphone, é possível:

  • Ver a composição num ecrã maior;

  • Ajustar definições com precisão;

  • Fotografar e guardar diretamente no disco.

Esta função é especialmente útil em fotografias de ação, como a de polvilhar açúcar em pó ou a de verter um molho.

Três cookies num prato azul em cima de uma mesa de madeira, fotografados por Bea Lubas com a Canon EOS R5.

Bea Lubas | Canon EOS R5 | Canon 24-70mm f/2.8 L IS USM | 70mm |  f/10 | 1/30 | ISO 320

3. Escolhe um fundo que realce o teu prato

O fundo pode realçar ou estragar a fotografia, ou seja, deve realçar o prato, nunca competir com ele. Portanto, opta por texturas interessantes, mas discretas. A cor também é determinante.

Duas abordagens que funcionam particularmente bem:

  • Contraste cromático: fundo e acessórios numa cor que contraste com o prato;

  • Repetição de cor: fundo na mesma tonalidade do ingrediente principal, com loiça de cor diferente.

Estas técnicas ajudam a criar harmonia e coerência visuais.

Laranjas cortadas numa tábua de madeira, fotografadas por Bea Lubas com a Canon EOS R5.

Bea Lubas | Canon EOS R5 | Canon RF 24-70mm f/2.8 L IS USM | 70mm |  f/7.1 | 1/50 | ISO 250

4. Trabalha as sombras para criar profundidade

Os fotógrafos adoram luz. No entanto, na fotografia gastronómica, a luz em excesso nem sempre é uma vantagem. Não te esqueças de que estás a trabalhar com um motivo relativamente pequeno. Quando a luz é muito suave e vem de várias direções, como num dia nublado ou num espaço com muitas janelas, as sombras praticamente desaparecem. Sem sombras, perde-se profundidade e dimensão, e o resultado pode ser uma imagem visualmente "plana", sem volume nem contraste. Recorda-te:

  • Fecha parcialmente as cortinas: repara como muda as sombras na fotografia;

  • Fotografa junto a uma única fonte de luz lateral: cria volume e textura.

Presta atenção à forma como as sombras mudam consoante o tempo: num dia de sol, com a luz a entrar pela janela, ou num dia nublado, com uma luz mais suave e difusa. Ao observares essas diferenças, perceberás que tipo de luz funciona melhor para fotografar determinados pratos.

5. Adiciona destaques para acrescentar impacto visual

Elementos de destaque criam pontos de interesse fortes e podem ser uma excelente forma de conferir um "fator uau" às tuas fotografias de comida. Um detalhe apelativo depende da forma como a luz interage com o motivo, nomeadamente com a sua forma, textura e ângulo.

Quanto à textura, pensa em como podes acrescentar maior luminosidade ao prato. Por exemplo, um fio de molho nas folhas de salada, marcas criadas com as costas da colher na cobertura de um bolo ou até uma ligeira pulverização de água sobre ingredientes frescos podem fazer toda a diferença.

Relativamente à forma, considera cortar os ingredientes de diferentes maneiras e observa como essas superfícies captam a luz. Pequenas alterações no corte podem transformar por completo o efeito visual.

Também podes inclinar alguns elementos em direção à fonte de luz para realçar os reflexos. Nas receitas com texturas suaves e cremosas, a utilização de contraluz pode conferir-lhes maior profundidade e criar um efeito visual mais envolvente.

Uma colher dourada numa tigela azul vazia, uma tigela azul vazia e uma tábua de cortar de madeira sobre uma mesa, fotografadas por Bea Lubas com a Canon EOS R5.

Bea Lubas | Canon EOS R5 | Canon RF 24-70mm f/2.8 L IS USM | 36mm |  f/4.0 | 1/160 | ISO 800

6. Constrói a composição com pratos vazios primeiro

A frescura é essencial na fotografia gastronómica. Muitos alimentos começam a secar, a perder volume ou a alterar a textura se permanecerem demasiado tempo no estúdio, deixando de parecer tão apetitosos. Por isso, começa por trabalhar a composição com pratos vazios. Ajusta o enquadramento, os acessórios e o posicionamento até estares satisfeito(a). Só depois é que adicionas a comida. Desta forma, poupas tempo, manténs o controlo e evitas comprometer o aspeto final da comida apresentada.

Madalenas num prato branco, com um bule de chá e uma açucareira em primeiro plano, fotografadas por Bea Lubas com a Canon EOS R5.

Bea Lubas | Canon EOS R5 | Canon RF 24-70mm f/2.8 L IS USM | 70mm |  f/3.5 | 1/30 | ISO 200

7. Cria sensação de profundidade

Ao compores uma cena gastronómica, distribui os elementos por diferentes planos dentro da imagem. Coloca alguns objetos ligeiramente atrás de outros, criando camadas visuais. Esta técnica funciona especialmente bem quando se combinam texturas, formas e dimensões variadas. Isso ajuda a guiar o olhar e torna a composição mais natural.

Ao utilizares uma abertura ampla, indicada por um número f mais baixo, é possível desfocares o primeiro e o último plano. É uma forma eficaz de destacar o elemento principal e conferir mais tridimensionalidade à imagem.

8. Faz com que o cenário pareça natural

Um dos maiores desafios na fotografia gastronómica é evitar que a imagem pareça demasiado encenada. Para manteres o cenário com um aspeto natural, tende a ser necessário variar ligeiramente as distâncias entre os elementos. Alguns podem até se tocar. Podes também cortar parcialmente certos objetos do enquadramento. Quando tudo está demasiado alinhado ou perfeito, a imagem tende a parecer artificial. As pequenas imperfeições tornam a fotografia mais credível e convidativa.

Um waffle num prato, coberto com laranjas e creme, fotografado por Bea Lubas com a Canon EOS R5.

Bea Lubas | Canon EOS R5 | Canon RF 100mm f/2.8 L Macro IS USM | 100mm |  f/11 | 1/6 | ISO 400

9. Valoriza a apresentação do prato

A fotografia não transmite sabor nem aroma, por isso, concentra-te nos detalhes visuais que sugerem essas sensações. Capta a textura, seja cremosa, estaladiça, crocante ou macia. Garante também que as cores pareçam frescas e apetecíveis.

Mostra os ingredientes mais importantes, de modo a ajudar quem vê a imaginar o sabor. Não hesites em incluir pequenas manchas, sumos ou migalhas. Quando utilizados de forma intencional, tornam a cena mais realista e apelativa.

E não te esqueças da guarnição! Um toque final bem pensado pode melhorar a apresentação e destacar a tua imagem.

Ruibarbo cortado numa assadeira, com vagens de baunilha por cima, fotografado por Bea Lubas com a Canon EOS R5.

Bea Lubas | Canon EOS R5 | Canon RF 24-70mm f/2.8 L IS USM | 70mm |  f/10 | 1/10 | ISO 320

10. Acrescenta pistas ao contexto

Introduzir algum contexto à fotografia pode melhorar a sua qualidade e torná-la ainda mais memorável. Assim, adiciona um elemento humano, como mãos em ação durante a preparação do prato. Outra opção é mostrar parte do ambiente envolvente para dar pistas sobre o local.

Referir a hora do dia, a estação do ano ou uma ocasião especial também enriquece a narrativa. Estes pormenores ajudam a contar uma "história".

11. Aperfeiçoa os detalhes na pós-produção

A edição é uma das ferramentas mais poderosas para intensificar o impacto visual das tuas fotografias. Ao editares fotografia gastronómica, foca-te nos elementos que despertam o apetite, como a cor e a textura.

No software de edição, podes ajustar o matiz, a saturação e a luminosidade para afinares as cores dos ingredientes com maior precisão. Ferramentas como a textura e a clareza ajudam a realçar os detalhes, mas devem ser usadas com moderação. Pequenos ajustes costumam ser suficientes.

Por fim, a função de mascaramento permite aplicar alterações apenas a uma zona específica do enquadramento. Por exemplo, é possível aumentar ligeiramente a exposição numa parte da imagem, ajustar a cor de um ingrediente em particular ou reforçar (ou suavizar) a textura de um elemento específico.

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