Uma fileira de casas de tijolo vermelho numa rua algures em Sussex, no Reino Unido

Análise: Fujifilm GFX 100 II, mirrorless de médio formato

Publicado a 23 de julho de 2026 por MPB

Durante muito tempo, o médio formato esteve associado a câmaras grandes e pesadas, quase sempre presas ao ambiente de estúdio. A Fujifilm mudou essa ideia. A Fujifilm GFX 100 II promete uma qualidade de imagem espetacular graças ao sensor de 102 megapíxeis, oferece uns notáveis 8 stops de IBIS e traz funcionalidades de vídeo impressionantes.

A análise da Amy Moore, com o vídeo mais abaixo, examina as especificações principais da GFX 100 II, a qualidade de imagem, o IBIS, o ISO, o foco automático, o manuseamento, o design e muito mais. Ainda neste artigo, encontras também o vídeo detalhado do Justin Patricolo, que avalia o desempenho da GFX 100 II em vídeo.

https://youtu.be/4jLO5kPqCt4?rel=0

Características técnicas principais

Sensor

Médio formato

Megapíxeis

102

Resolução

11648x8736 

Estabilização

8 stops, in-body

Baioneta da objetiva

Objetivas para Fujifilm G

ISO

80–12.800

ISO (expandido)

50–102.400

Foco automático

Híbrido (fase/contraste)

Velocidade de disparo contínuo

8 fps

Ecrã

3.2” LCD

Ecrã inclinável

Sim

Ecrã tátil

Sim

Visor

Eletrónico, 9,44 milhões de pontos

Ampliação

Cobertura 

100%

Peso

1.030g

Tamanho

152x117x99 mm

Vídeo

Até 8K 30p, ProRes 4:2:2

Armazenamento

CFexpress Type B, SD UHS-II

Velocidade do obturador

1/4.000 seg

Obturador eletrónico

1/32.000 seg

Vantagens

  • Qualidade de imagem e gama dinâmica extraordinárias

  • Foco automático rápido para uma câmara de médio formato

  • Visor incrivelmente nítido e luminoso

  • Corpo portátil para o segmento de médio formato

Limitações

  • Preço elevado

Fujifilm GFX 100 II usada, com o sensor exposto.

Fujifilm GFX 100 II em segunda mão

Sensor e desempenho

A Fujifilm GFX 100 II possui um sensor de 102 megapíxeis que capta todos os detalhes. A qualidade das imagens produzidas por esta câmara é inegável.

A GFX 100 II atinge até 8 fps em modo de disparo contínuo com obturador mecânico. Para obter rajadas sem blackout, é necessário utilizar o obturador eletrónico (5 fps) ou mudar para o modo full-frame da câmara (8 fps).

Apesar de não ter sido concebida para fotografia de ação, esta câmara oferece uma grande flexibilidade, com uma cadência contínua impressionante para o tamanho do seu sensor. 

Fotografias de 400 megapíxeis? Sim!

Com o sistema IBIS, a GFX 100 II cria fotografias de 400 megapíxeis. Fá-lo ao captar quatro imagens em sequência, movendo o sensor um píxel de cada vez para obter um nível de detalhe surpreendente.

Para melhores resultados com esta funcionalidade, convém manter a câmara montada e estável. Por isso, é ideal para captar temas parados e trabalho orientado ao detalhe, como fotografia macro, arquitetura e naturezas-mortas.

Quanta gama dinâmica precisas? Toda.

A Fujifilm GFX 100 II tem uma das melhores reproduções de cor e gamas dinâmicas que alguma vez testámos. Os ficheiros RAW retêm uma quantidade impressionante de detalhe, permitindo-te puxar as altas-luzes e as sombras na edição.

O nível de detalhe é ainda reforçado pelo ISO base mais baixo, de 80. Este ISO baixo ajuda a preservar o detalhe nas altas-luzes em situações de muito contraste. Depois, podes recuperar as sombras na pós-produção para obter imagens finais bem expostas.

 Um cão com uma bola de ténis na boca a olhar para a câmara

Amy Moore | Fujifilm GFX 100 II | 55mm f/1.7R WR | f/2.0 | 1/2000 | ISO 2500

Estabilização de imagem no corpo (IBIS)

Graças ao IBIS de até 8 stops, a GFX 100 II permite obter fotografias estáveis mesmo em condições difíceis. Esta funcionalidade é muito útil para fotografar à mão com um sensor tão grande, em que a trepidação tradicionalmente constituía um problema constante. Qualquer ajuda para manter tudo estável é bem-vinda para quem fotografa.

 Um pátio à noite, iluminado por luzes decorativas nas árvores.

Amy Moore | Fujifilm GFX 100 II | GF 55mm f/1.7 R WR | f/1.7 | 1/15 seg | ISO 2000

Desempenho ISO

A GFX 100 II tem uma sensibilidade ISO base de 80, o que resulta em pouco ruído e boa gama dinâmica. No extremo oposto, o ISO pode ser puxado até 12.800. Nos nossos testes, as imagens mantêm-se limpas até cerca de ISO 5000, e a partir daí começa a surgir ruído.

Combinada com o IBIS, esta câmara permite-te fotografar à mão com confiança em ambientes com pouca luz, alargando a variedade de situações em que podes trabalhar.

 Parte superior da Fujifilm GFX 100 II num fundo azul e preto

Fujifilm GFX 100 II em segunda mão

Desempenho em vídeo

As especificações de vídeo, muitas vezes ofuscadas pela componente fotográfica, são impressionantes. A GFX 100 II grava até 8K a 30 fps, 4K até 60 fps e Full HD a 120 fps. A câmara capta 10-bit 4:2:2 internamente e usa o excelente sistema de seguimento por foco automático do corpo. Basta tocar no tema no ecrã traseiro e a GFX 100 II segue o alvo que escolheste.

A 100 II é a primeira câmara da série GFX com F-Log2, um passo rumo ao mundo cinematográfico. Este perfil oferece 14 stops de gama dinâmica, o que ajuda a filmar com pouca luz e dá uma excelente flexibilidade na pós-produção quando fazes a correção de cor das tuas imagens.

Rolling shutter

No que se refere ao vídeo, um ponto a ter em conta é o rolling shutter. Este será um problema ao filmar atividades de alta velocidade, devido à velocidade de leitura relativamente lenta da GFX 100 II.

Uma imagem que ilustra o acompanhamento do foco automático, com uma caixa de acompanhamento verde sobre o olho da pessoa.

Foco automático

O foco automático da GFX 100 II é impressionante, com melhorias na deteção e no seguimento de temas. Funciona bem a seguir rostos e olhos humanos, e também uma grande variedade de temas, incluindo animais, aves, carros, bicicletas, motos, aviões e comboios.

Nas câmaras de médio formato, o foco automático é geralmente mais lento do que em câmaras APS-C ou full-frame. A GFX 100 II não iguala as câmaras de formato mais pequeno na velocidade de foco, mas continua a ser muito boa para uma câmara de médio formato.

Parte traseira da Fujifilm GFX 100 II num fundo azul e preto

Fujifilm GFX 100 II em segunda mão

Corpo e ergonomia

Para o seu tamanho, a GFX 100 II não parece assim tão grande nem pesada. A câmara está bem concebida, com uma ergonomia excelente.

O corpo redesenhado da GFX 100 II melhora a portabilidade, o punho e a facilidade de utilização. A parte superior ligeiramente inclinada melhora a visibilidade, e os botões personalizáveis dão controlos intuitivos. O ecrã LCD com inclinação em três direções e o visor de alta resolução tornam a experiência de fotografia muito agradável.

Uma fileira de casas de tijolo vermelho numa rua algures em Sussex, no Reino Unido

Amy Moore | Fujifilm GFX 100 II | GF 55mm f/1.7 R WR | f/6.4 | 1/1250 | ISO 320

Visor

O visor eletrónico da GFX 100 II é um prazer de usar. A resolução do visor é elevada e produz uma imagem muito luminosa e detalhada, permitindo-te rever a fotografia com rigor antes e depois de disparar. Oferece também a importantíssima ampliação de 1× e 100% de cobertura do sensor. Quando olhas para o visor, parece que estás a ver um ecrã de cinema.

O visor é ainda destacável, já que a Fujifilm fabrica um adaptador inclinável, o Fujifilm EVF-TL1, para quem prefere fotografar "à cintura" ou simplesmente quer mais ângulos de visão.

Um edifício semelhante a um barracão de metal verde que está a ser utilizado como loja

Amy Moore | Fujifilm GFX 100 II | GF 55mm f/1.7 R WR | f/10 | 1/640 s | ISO 320

Portas

Em termos de portas, a GFX 100 II atende praticamente a todas as necessidades. A câmara inclui uma porta gigabit ethernet para fotografia em tethering, uma porta HDMI de tamanho completo, USB-C, entrada de microfone de 3,5 mm, entrada de auscultadores e terminal de sincronização de flash. Além, claro, do suporte para cartões SD e CFexpress Type B.

A fachada de uma casa, onde se vê uma porta, três janelas e um sinal de rua com a inscrição «High Street».

Amy Moore | Fujifilm GFX 100 II | GF 55mm f/1.7 R WR | f/8.0 | 1/640 s | ISO 320

Vídeo em contexto real

Neste teste prático, o Justin Patricolo, da MPB, levou a GFX 100 II ao limite enquanto filmava um videoclipe para a artista pop LEXXE, e ficou genuinamente impressionado. O sensor de médio formato, aliado à gravação interna em ProRes e à capacidade 4K/60p, tornou-a ideal para captar a estética visual do projeto.

https://youtu.be/OLXV_ht5Z7k?rel=0

O Justin e a sua equipa filmaram de tudo, desde planos ao ombro a grandes planos à mão e planos de topo com boom. A estabilização IBIS de cinco eixos era tão forte que, nalguns casos, quase se tornava suave demais. O foco automático foi outro ponto forte, a seguir os olhos dos temas com rigor mesmo em movimento dinâmico, reduzindo a necessidade de fazer focagem manual durante a operação à mão.

De planos de interior com pouca luz a uma sequência de atuação à chuva e a uma iluminação estilizada e enevoada, a GFX 100 II entregou imagens consistentes e cinematográficas. Mesmo reduzida ao essencial e montada num braço de boom para planos de topo, a câmara continuou leve o suficiente para se manusear com confiança, algo mais difícil com um corpo de cinema maior. As imagens RAW responderam bem à correção de cor, mesmo com LUTs básicas aplicadas. O resultado final foi nítido, suave e cinematográfico.

Como se compara a Fujifilm GFX 100 II

Em termos de resolução e qualidade de imagem, a GFX 100 II mede forças com as câmaras mirrorless de médio formato Fujifilm GFX 100S e Hasselblad X2D 100c.

Para a maioria dos temas estáticos, a Fujifilm GFX 100S já oferece uma qualidade de imagem de médio formato excecional, a um custo inferior ao da GFX 100 II. As verdadeiras evoluções surgem em usos mais específicos: a 100 II permite disparo contínuo mais rápido, capacidades de vídeo muito melhoradas e um seguimento de foco superior. Mas, para fotografia de alta resolução, a GFX 100S continua muito capaz e com um preço mais acessível. Se precisas do que há de mais avançado em velocidade, vídeo ou número de píxeis, escolhe a GFX 100 II.

Face à Hasselblad X2D 100C, a GFX 100 II é mais acessível. As objetivas Fujifilm GFX também são mais acessíveis do que as objetivas Hasselblad. Ainda assim, a Hasselblad oferece um corpo mais fino, uma disposição de botões mais intuitiva e uma experiência mais adequada à "fotografia lenta". A qualidade de imagem é comparável entre a GFX 100 II e a X2D 100C, mas a X2D oferece algo único: 1 TB de armazenamento interno, para nunca mais te preocupares com cartões SD.

Fujifilm GFX 100 II usada, num fundo azul e preto.

Fujifilm GFX 100 II em segunda mão

Veredito

A Fujifilm GFX 100 II representa mais uma evolução para as câmaras mirrorless de médio formato, com uma qualidade de imagem verdadeiramente espetacular de 102 megapíxeis, num corpo mais portátil do que nunca.

Quem fotografa paisagem, em particular, vai deliciar-se com o nível de detalhe, a gama dinâmica e o enorme potencial de 400 megapíxeis do Pixel Shift.

A versatilidade que oferece significa que a GFX 100 II se destaca em retrato, fotografia de produto e trabalho macro, e até em categorias tradicionalmente fora do domínio do médio formato, como o vídeo.

Quando montares o teu primeiro kit de médio formato, são as tuas necessidades criativas que devem determinar se escolhes a 100 II, outras câmaras da série Fujifilm GFX ou as equivalentes da Hasselblad. Se não te importas de abdicar de alguma velocidade e vídeo, opta por uma versão anterior e poupa algum dinheiro para as objetivas. Mas, se precisas mesmo das funcionalidades mais recentes e tens orçamento para isso, a GFX 100 II é uma opção excecional.

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