Uma fotografia desfocada, em movimento, de um grupo de ciclistas da equipa Jumbo Visma a pedalar por uma estrada de terra, tirada por Dan King com uma Fujifilm X-Pro 3.

No terreno: Fujifilm X-Pro 3 vs X-Pro 2 para fotografia desportiva

Publicado a 29 de abril de 2026 por MPB

O fotógrafo documental de desporto Dan King tem vasta experiência em fotografar provas de ciclismo. Após vários anos a trabalhar com a câmara mirrorless Fujifilm X-Pro 2, desta vez levou a Fujifilm X-Pro 3, lançada em 2019, para o terreno, enquanto acompanhava duas equipa profissionais de ciclismo em dois eventos distintos, um em Tenerife (Espanha) e outro na Tuscania (Itália). Continua a ler para saberes como é que Fujifilm X-Pro 3 se comporta na fotografia de ciclismo e de desporto em geral. Agora, passamos a palavra ao Dan.

Dois ciclistas da equipa Jumbo Visma, vestidos com camisolas amarelas e capacetes, a subir uma colina, fotografia de Dan King com uma Fujifilm X-Pro 3

Fujifilm X-Pro 3 | XF 50-140mm f/2.8 LM OIS WR | f/4 | 1/550 | ISO 160

Antes de mais, considero-me um fotógrafo documental de desporto. Não me considero propriamente um fotógrafo de ação. O que mais me atrai é estar perto dos atletas, no meio do caos, enquanto vivem os momentos mais felizes e também os mais difíceis. Não procuro capturar o auge da ação a alta velocidade durante a competição. Muitas vezes, fico mais entusiasmado para fotografar a antecipação, o ambiente e as celebrações após a vitória, ou seja, o que acontece antes ou depois do evento. O meu objetivo é transmitir a quem vê as minhas imagens a sensação de estar mesmo ali, no centro da ação. A Fujifilm X-Pro 2 acompanhou-me ao longo dos últimos anos. Ainda assim, desde o lançamento da mais recente X-Pro 3, tenho pensado se faria sentido atualizar o equipamento.

Fujifilm X-Pro 3 com lente XF 35 mm sobre um fundo de tecido preto

Fujifilm X-Pro 3

Além da constante vontade de experimentar mais equipamento, as principais razões para querer testar a Fujifilm X-Pro 3 eram a ligeira melhoria na velocidade do obturador e no foco automático. A X-Pro 3 dispara a 11 fotogramas por segundo, ao passo que a X-Pro 2 fica pelos 8 fps. Na verdade, não tinha a certeza de precisar realmente dessa diferença, visto que costumo fotografar os momentos mais rápidos com velocidades do obturador mais lentas e com movimento de acompanhamento.

Uma fotografia desfocada, em movimento, de um grupo de ciclistas da equipa Jumbo Visma a pedalar por uma estrada de terra, tirada por Dan King com uma Fujifilm X-Pro 3.

Dan King | Fujifilm X-Pro 3 | 16-55mm f/2.8 R LM WR | f/16 | 1/125 | ISO 160

Gosto da forma como esta técnica transmite a sensação de movimento, sobretudo quando pretendo capturar a velocidade nas imagens. Ainda assim, os 8 fps da X-Pro 2 por vezes deixaram-me com pouca margem. É importante para mim que a imagem fique nivelada. Depois de a endireitar, apercebo-me de que bastaria o ciclista estar um pouco mais à esquerda no enquadramento. Esperava que esses fotogramas extra por segundo me ajudassem a manter o motivo mais próximo do centro da imagem.

Fujifilm X-Pro 2 com uma lente XF 35 mm numa praia de seixos

Fujifilm X-Pro 2

Embora o autofoco da X-Pro 2 não seja tão rápido quanto o da Fujifilm X-T5, nunca senti grandes limitações com esta máquina. Ainda assim, uma vez que o sensor APS-C não é tão eficaz em condições de fraca luminosidade como o da minha Leica Q2, fiquei curioso para perceber se as melhorias no sistema de foco automático da X-Pro 3 me ofereceriam algo de que ainda não sabia que precisava, sobretudo em ambientes com pouca luz, como autocarros ou quartos de hotel.

Uma fotografia a preto e branco de um ciclista da equipa Jumbo Visma a comer de uma tigela, rodeado de bicicletas, tirada por Dan King com uma Fujifilm X-Pro3

Fujifilm X-Pro 3 | XF 16-55mm f/2 R LM WR | f/2.8 | 1/250 | ISO 800

Para pôr à prova a Fujifilm X-Pro 3, levei-a comigo para Tenerife. Acompanhei um estágio de treino em altitude no início da época, durante o qual os ciclistas testaram equipamento e nutrição. Este ambiente permitiu-me experimentar a máquina fotográfica com menos pressão e compreender melhor as suas vantagens e desvantagens. A rotina dos ciclistas era bastante consistente ao longo de vários dias, o que me deu a oportunidade de fotografar situações semelhantes mais do que uma vez.

Um grande plano de um ciclista da equipa Jumbo Visma, com óculos de sol refletores e uma camisola amarela, a subir uma colina de bicicleta, fotografado por Dan King com uma Fujifilm X-Pro 3

Fujifilm X-Pro 3 | XF 16-55mm f/2 R LM WR | f/5.6 | 1/400 | ISO 100

Depois de Tenerife, fui até Itália para fotografar a Strade Bianche. Esta prova é conhecida pelas suas estradas de gravilha branca. Em tempo seco, estas estradas transformam-se facilmente em nuvens de pó. Quando chove, o pó transforma-se numa espécie de lama espessa e clara que se cola ao equipamento, às bicicletas e aos ciclistas. Em qualquer dos casos, o resultado visual pode ser excelente. E se queres mesmo testar uma câmara num contexto exigente, é difícil superar o ambiente de uma corrida. Quando os ciclistas passam a alta velocidade, não há uma segunda oportunidade para repetir a fotografia.

Fotografia a preto e branco de um trio de ciclistas da equipa Jumbo Visma a passar a toda a velocidade por entre algumas palmeiras, tirada por Dan King com uma Fujifilm X-Pro 3

Fujifilm X-Pro 3 | XF 16-55mm f/2 R LM WR | f/16 | 1/125 | ISO 160

A X-Pro 3 tem um sensor X-Trans de quarta geração com 26,1 megapíxeis, ao passo que a X-Pro 2 tem um sensor X-Trans de terceira geração com 24,3 megapíxeis. A X-Pro 3 permite também uma sensibilidade ISO mínima de 160, em comparação com os 200 ISO da X-Pro 2, mantendo o mesmo valor máximo de ISO nas duas câmaras. O modelo mais recente inclui ainda um ecrã LCD articulado e mais pontos de focagem automática: 425 em comparação com os 325 da X-Pro 2.

Fujifilm X-Pro 2

Fujifilm X-Pro 3

Sensor

X-Trans, terceira geração

X-Trans, quarta geração

Megapíxeis

24,3

26,1

ISO mín.

200

160

ISO máx.

12.800

12.800

Pontos de foco automático

325

425

Velocidade máx. do obturador

1/8.000

1/8.000

Fotogramas por segundo

8

11

Resolução máxima de vídeo

4k

4k

Ecrã tátil articulado

Não

Sim

A parte traseira de uma Fujifilm X-Pro 3, mostrando o equilíbrio de brancos automático, a simulação de filme Acros e 640 ISO

Fujifilm X-Pro 3

Todas as câmaras da série X-Pro são compactas. Sobretudo quando equipadas com as objetivas prime WR, formam um conjunto fácil de transportar e que permite circular com discrição. Para trabalhos documentais, isso faz toda a diferença. Na X-Prov3, o ecrã traseiro pode ser virado para dentro, deixando apenas um pequeno visor com o essencial visível. Para mim, isto é ótimo. Não costumo utilizar o ecrã traseiro das minhas câmaras e trabalho quase sempre com o visor eletrónico, também para poupar bateria. Além disso, esta solução evita toques acidentais no ecrã e alterações de definições sem dar por isso.

Fotografia a preto e branco de uma bicicleta de corrida rodeada por sapatos de ciclismo e uma roda sobressalente, tirada por Dan King com uma Fujifilm X-Pro 3

Fujifilm X-Pro 3 | XF 16-55mm f/2 R LM WR | f/5.6 | 1/320 | ISO 100

Desde o verão passado, tenho fotografado sobretudo com a câmara definida para uma simulação a preto e branco, embora continue sempre a capturar em RAW. Isso não só me ajuda a simplificar as escolhas no momento, como também me permite retirar o peso emocional da cor nesta fase. Como sou daltónico, sobretudo entre verdes e vermelhos, isto ajuda-me a reduzir a influência negativa que a cor da cena possa ter na forma como olho para a fotografia. Assim, consigo concentrar-me melhor na luz e na composição.

Fotografia a preto e branco de um grupo de ciclistas numa estrada asfaltada rodeada de cactos, tirada por Dan King com uma Fujifilm X-Pro 3

Fujifilm X-Pro 3 | XF 50-140mm f/2.8 R LM OIS WR | f/3.2 | 1/1800 | ISO 160

A Fujifilm X-Pro3 é uma excelente máquina fotográfica que representa uma evolução interessante em relação ao modelo anterior. Se não tivesse já uma X-Pro 2, optaria sem hesitar pela X-Pro3. Se estiver à procura de um segundo corpo ou se ainda não tiver nenhuma câmara da série X-Pro, a X-Pro 3 seria a minha escolha.

Primeiro plano de um fotógrafo com uma camisa azul, segurando uma Fujifilm X-Pro 3 com o dedo no botão do obturador

Fujifilm X-Pro 3 em segunda mão

Dito isto, e olhando para estas duas câmaras em 2026, a diferença mais relevante está menos nos números da ficha técnica e mais na forma como se fotografa. Se o teu foco é a fotografia documental desportiva, os bastidores, o ciclismo, as corridas amadoras, o treino, o ambiente e a narrativa visual, a X-Pro 3 continua a ser uma opção muito interessante. Oferece um pouco mais de rapidez, um sistema de focagem automática mais eficiente e uma experiência de utilização mais aprimorada sem perder o caráter discreto e intencional que define a série X-Pro.

Se, por outro lado, pretendes fotografar ação pura, sequências rápidas e motivos em movimento com um acompanhamento mais exigente, talvez faça mais sentido optar por uma câmara mais orientada para o desempenho. A escolha entre valor e desempenho fica mais clara: a X-Pro 2 continua a oferecer muito, mas a X-Pro 3 é mais adequada para quem pretende ir mais além em termos de consistência e usabilidade, sem sair da filosofia X-Pro.


À procura de mais inspiração para fotografia de desporto?

Continua a explorar este tema e descobre quais são os 12 melhores equipamentos de câmara para fotografia desportiva.

Podes vender ou fazer retoma do teu equipamento fotográfico com a MPB. Faz uma simulação de preço gratuita e imediata, beneficia de envio gratuito com seguro incluído para a MPB e recebe o pagamento em poucos dias.