Nikon D700 HERO

Avaliação: Nikon D700, a DSLR lendária de 12 megapíxeis

Publicado a 30 de janeiro de 2026 por MPB

A Nikon D700 é uma DSLR full-frame (FX, na terminologia da Nikon) lançada em 2008. Mesmo com a subida das mirrorless, as DSLRs continuam a ser uma escolha sólida para quem quer ergonomia clássica, visor ótico e uma experiência de utilização mais “direta”.

Neste artigo, o Jakub Golis faz uma análise completa sobre: funcionalidades, construção, qualidade de imagem e um conjunto de fotografias de teste para te ajudar a perceber se a D700 continua a fazer sentido nos dias de hoje.

A Nikon D700 é uma daquelas câmaras que não desaparecem. Tal como a Canon EOS 5D ou a Fujifilm X-Pro 1, ganhou estatuto de culto e continua a ser falada pela sua imagem “film-like”, ruído com aspeto orgânico e construção à prova de tudo.

Quando uma câmara tem demasiado hype, fico sempre desconfiado. Por isso, depois de ouvir falar da D700 vezes sem conta, tinha mesmo de a testar.

Um retrato de Claudia Di Rito tirado com a Nikon D700 por Ian Howorth.

Ian Howorth | Nikon D700 | Nikon AF-S 85mm f/1.4G | f/2.2 | 1/50 | ISO 500 | Modelo: Claudia Di Rito

Para esta avaliação, usámos a D700 com as objetivas 35mm f/1.8G ED, 50mm f/1.4G e 85mm f/1.4G, e também com o zoom 24-70mm f/2.8E ED VR.

Usado Nikon D700 em um fundo roxo e azul

Nikon D700 em segunda mão

Especificações Principais

Sensor

CMOS

Tamanho do sensor

Full-frame

Megapíxeis

12,1

ISO

200–6400

ISO (expandido)

100–25600

Velocidade máxima do obturador

1/8000

Disparo contínuo

5 fps

Flash

Incorporado, sapata

Visor

Ótico 

Pontos de focagem automática

51

Live View

Sim

Video

Não

Memória

Apenas CF Tipo 1

Lançamento

2008

Peso

995 g

A D700 foi, na altura, a primeira full-frame “mais acessível” da Nikon com ótimo desempenho em pouca luz. Era uma versão mais simples da Nikon D3, mas continuava claramente pensada para trabalho a sério.

Pontos fortes

  • Excelente qualidade de imagem com boa luz

  • Ruído monocromático com aspeto mais “filmic”

  • Construção robusta

  • Flash incorporado

Limitações

  • Volumosa face a mirrorless atuais

  • O foco automático já se nota ser ultrapassado

  • 12 megapíxeis deixam pouca margem para recorte na edição

Um carro vintage azul estacionado em uma rua britânica. Tirada com a Nikon D700 por Jakub Golis.

Jakub Golis | Nikon D700 | Nikon AF-S 35mm f/1.8G | f/1.8 | 1/3200 | ISO 200

Sensor

Existem muitas histórias à volta do sensor da D700. Algumas pessoas defendem que era “único”, com uma matriz de filtros de cor especial, mas não encontrei fontes fiáveis que sustentem isso. O que parece mais consistente é que foi um dos últimos sensores full-frame desenhados pela Nikon e fabricados pela Panasonic (Matsushita até 2008), antes de a Nikon passar a usar sensores Sony. Se há algo “diferente”, pode estar aí.

E sim: são 12 megapíxeis. À primeira vista parece pouco, mas vale lembrar que até câmaras bem mais recentes, como a Sony A7S III (2020), continuam a apostar em 12 megapíxeis.

12 megapixels chegam?

Para testar isto, fotografei o mesmo cenário com a Nikon D700 e com a Nikon Z7 II (45 megapíxeis, 2020). Depois imprimi as duas imagens em 30×20 polegadas (75×50 cm).

Um composto de duas imagens sendo comparadas quanto à resolução em orientação vertical, uma pela Nikon D700 e outra pela Nikon Z7 II.

Em cima: Nikon D700 de 12 megapíxeis | Em baixo: Nikon Z7 II de 45 megapíxeis

A uma distância normal de visualização, por volta de um metro, são praticamente indistinguíveis. Só quando analisei muito de perto é que notei menos detalhe no ficheiro da D700. O que, para 2008, é um excelente resultado.

Um composto de duas imagens sendo comparadas quanto à resolução em orientação paisagem, uma pela Nikon D700 que usa a técnica de ampliação ‘Super Resolution’ do Photoshop, e uma imagem pela Nikon Z7 II.

À esquerda: Nikon D700 de 12 megapíxeis, melhorada com “Super Resolution” | À direita: Nikon Z7 II de 45 megapíxeis

Fiz ainda outro teste: ampliei a imagem da D700 com a função Super Resolution do Adobe Lightroom Classic e imprimi novamente a 30×20. A diferença em resolução ficou mínima, mesmo quando vistas a poucos centímetros.

E, na prática, muitas fotografias acabam por ser vistas assim:

Mockup mostrando como uma imagem ficará no Instagram móvel.

A imagem apresentada como uma publicação no Instagram

Funcionalidades extra

A D700 ainda surpreende. Tens 51 pontos de focagem automática e a possibilidade de fotografar em RAW de 14 bits.

Um retrato de Courtney Burnan olhando diretamente para a lente. Fotografado com a Nikon S700 por Jakub Golis.

Jakub Golis | Nikon D700 | Nikon AF-S Nikkor 50mm f/1.4G | f/2.8 | 1/125 | ISO 400 | Modelo: Courtney Burnan

Um dos aspetos que mais gostei foi o sistema de Picture Control. Podes usar perfis prontos ou afinar um ao teu gosto com o Nikon Picture Control Editor. Não é exclusivo da D700, mas ajuda a conseguires JPEGs com aspeto final muito convincente. Especialmente, se preferes fotografar e partilhar sem passar muito tempo a editar.

O Live View também faz diferença: permite ampliar a imagem para confirmares o foco, o que é muito útil quando usas objetivas manuais mais antigas.

Design & utilização

Ouvi uma frase que resume bem a fama desta câmara: “A D700 era praticamente indestrutível. Adorava aquela câmara.”

Dials e botões traseiros da Nikon D700

Nikon D700 em segunda mão

A D700 é maior e mais pesada, perto de 1 kg com a bateria EN-EL3e. Qualquer pessoa habituada a corpos pequenos, vai notar logo. Mas esse peso vem com vantagens: pega sólida, visor ótico grande e controlos físicos para quase tudo.

Na prática, a D700 deixa-te trabalhar sem perder tempo em menus. Tens botões dedicados onde faz sentido, e isso muda a forma como fotografas: menos cliques, mais ritmo.

A Nikon D700 e a Canon EOS 5D lado a lado

Esquerda: Nikon D700 | Direita: Canon EOS 5D

A Canon EOS 5D, principal concorrente da Nikon D700 no universo das câmaras lendárias, aposta num corpo mais simples, com menos botões. No entanto, fica aquém da experiência tátil oferecida pela D700.

Outro ponto forte da D700 é a autonomia da bateria. Tal como em muitas DSLR, a EN-EL3e aguenta longas sessões, em parte por não ter de alimentar um ecrã LCD de alta resolução. Ainda assim, se planeias usar o Live View, faz sentido levares algumas baterias extra, só por precaução.

Como se comporta hoje a Nikon D700?

Hoje, um dos maiores motivos para comprar uma D700 é a forma como renderiza cor e contraste, aquilo a que muitas pessoas chamam “ciência da cor”.

Uma rosa em um vaso de vidro sobre um fundo rosado e azulado. Fotografada com a Nikon D700 por Ian Howorth.

Ian Howorth | Nikon D700 | Nikon AF-S 24-70mm f/2.8E ED VR | f/4.5 | 1/8 | ISO 200

Uma rosa em um vaso de vidro. Fotografada com a Nikon D700 por Ian Howorth.

Ian Howorth | Nikon D700 | Nikon AF-S 24-70mm f/2.8E ED VR | f/4.5 | 1/8 | ISO 200 

A Nikon D700 é frequentemente comparada com a Canon EOS 5D (“5D Classic”), três anos mais velha. Aqui, em vez de comparar com a 5D Mark II, decidi pôr lado a lado a D700 e a EOS 5D original, porque ambas têm estatuto de culto e são frequentemente descritas como “film-like”.

Uma imagem composta comparando os jpegs direto da câmera da Nikon D700, Canon 5D e Sony A7 III.

Adicionei ainda a Sony A7 III (2018) como referência. As fotografias são JPEGs sem edição, tiradas com as mesmas definições. Conseguem notar a diferença?

Cores 

Para o meu olho, a Nikon D700 mostra sombras ligeiramente mais levantadas, contraste mais forte e menos nitidez aparente do que a Canon EOS 5D e a Sony A7 III. O resultado é um look um pouco mais aveludado e suave, com menos “recorte” digital nas arestas.

Nos azuis, a D700 é mais direta: azul é azul. Na EOS 5D, os azuis tendem mais para o ciano. Também reparei que a D700 torna castanhos, roxos e azuis mais brilhantes e com uma presença mais marcada.

Uma imagem composta comparando a reprodução de cores da Nikon D700, Canon 5D e Sony A7 III.

ISO 200, perfil de imagem standard, JPEG | À esquerda: Nikon D700 | Ao centro: Canon EOS 5D | À direita: Sony A7 III

A fita gaffer colorida na cena de teste é um ótimo exemplo. Na EOS 5D e na Sony A7 III, há uma graduação mais evidente entre as zonas claras e escuras da fita. Na D700, a fita – sobretudo as peças de cima e de baixo – parece quase “luminescente”, como se estivesse a ganhar luz por dentro.

Isto sugere que a curva de contraste por defeito da D700 é relativamente acentuada. O lado bom é que dá JPEGs muito agradáveis, com uma estética que parece já “editada”. O lado menos bom é que essa curva pode custar algum alcance dinâmico e aumentar o risco de altas luzes estouradas. Faz-me lembrar a forma como muitas vezes ajusto imagens em pós-produção com uma curva em “S”. Só que aqui parece estar a ser aplicada logo na câmara.

Agora, vamos ver o comportamento em ISO elevado.

D

An image showing the High ISO Performance from the Canon EOS 5D
An image showing the High ISO Performance from the Nikon D700

Esquerda: Nikon D700 | 35mm f/1.8 | f/11 | 1/20 | ISO 1600 |

Direita: Canon EOS 5D | EF 35mm f/2 IS USM | f/11 | 1/25 | ISO 1600

Recortámos a cena de teste fotografada em JPEG a ISO 1600 em cada câmara. Sem surpresa, a imagem mais limpa é a da Sony A7 III.

Em RAW, as diferenças aproximam-se bastante em termos de quantidade de ruído. Já em JPEG, a Canon EOS 5D é a que apresenta o ruído mais evidente e, para mim, o menos agradável a ISO 1600. Mesmo quando a diferença reduz em RAW, a 5D continua a ter um ruído com um aspeto mais “digital” e intrusivo.

Uma imagem composta comparando o desempenho em ISO alto das câmeras Nikon D700, Canon 5D e Sony A7 III.

ISO 3200, JPEG vs RAW | À esquerda: Nikon D700 | Ao centro: Canon EOS 5D | À direita: Sony A7 III

Em JPEG a ISO 3200, a EOS 5D mostra muito ruído de cor, com artefactos e descoloração sobretudo nas zonas de transição que ficam subexpostas. Quando olho para o mesmo ficheiro em RAW, a 5D revela bastante ruído de luminância e “pontos” (fireflies) nas áreas mais escuras. Estes defeitos não aparecem da mesma forma na fotografia da D700.

Aqui, acho que há mesmo fundamento na fama da D700: o ruído tem um aspeto mais orgânico, quase como grão. A sensação é que a câmara faz uma redução mais forte do ruído cromático (cor), mas deixa mais ruído de luminância. E tal ajuda a manter o ruído mais monocromático, com poucas distrações e mais agradável, mesmo em ISOs altos.

E, por fim, a comparação que costuma separar o “bom” do “lendário”: sobre-exposição e subexposição.

Composição da foto da cena de teste com exposição correta (0EV), subexposta e superexposta e ajustada para a exposição correta no Lightroom.

Composição da cena de teste com exposição correta (0 EV), subexposta e sobre-exposta, e posteriormente ajustada para a exposição correta no Lightroom

Exposição

A Nikon D700 lida surpreendentemente bem tanto com subexposição como com sobre-exposição. Com a cena subexposta em três stops, a imagem ganha grão (a ISO 200), mas não se desfaz: continua utilizável e, acima de tudo, mantém um aspeto agradável.

Quando fiz a mesma comparação com a Canon EOS 5D, a diferença foi clara: a 5D mostrou muito mais ruído ao recuperar sombras, com uma degradação mais evidente e menos “limpa”. Fiquei mesmo impressionado com o quão bem a D700 aguenta em qualidade de imagem.

Uma foto de uma abadia em ruínas em Sussex, Inglaterra. Tirada com a Nikon D700 por Jakub Golis.

Jakub Golis | Nikon D700 | Nikon AF-S Nikkor 24-70mm f/2.8E ED VR | 24mm | f/8 | 1/50 | ISO 200

Mais Exemplos de Imagens da Nikon D700

Retrato de Claudia Di Rito com desfoque de movimento. Fotografado com a Nikon D700 por Ian Howorth.

Ian Howorth | Nikon D700 | Nikon AF-S 85mm f/1.4G | f/10 | 1 s | ISO 200 | Modelo: Claudia Di Rito

Uma estátua de um anjo em algum lugar de Sussex, Inglaterra. Tirada com a Nikon D700 por Jakub Golis.

Jakub Golis | Nikon D700 | Nikon AF-S Nikkor 24-70mm f/2.8E ED VR | 65mm | f/2.8 | 1/80 | ISO 200

Um retrato amplo de Courtney Burnam no MPB Studio. Tirado com a Nikon D700 por Jakub Golis.

Jakub Golis | Nikon D700 | Nikon AF-S 35mm f/1.8G | f/2.8 | 1/125 | ISO 400

Um caminho largo ladeado por densas árvores verdes com uma criança pequena fora do centro do quadro. Tirada na Nikon D700 por Jakub Golis.

Jakub Golis | Nikon D700 | Nikon AF-S Nikkor 24-70mm f/2.8E ED VR | 70mm | f/5.6 | 1/125 | ISO 400

Um campo de trigo com um monte de feno no meio, com um pequeno moinho de vento vermelho ao longe. Tirada com a Nikon D700 por Jakub Golis.

Jakub Golis | Nikon D700 | Nikon AF-S Nikkor 24-70mm f/2.8E ED VR | 36mm | f/8.0 | 1/125 | ISO 400

Vale a pena comprar a Nikon D700 hoje?

Quando estava a explorar câmaras digitais com um look mais “filmic”, muita gente insistiu para eu experimentar a D700. Na altura não o fiz. Agora, depois de a testar a sério, percebo porquê: continua a ser uma proposta muito forte.

Ainda hoje, a Nikon D700 é uma DSLR full-frame muito capaz, com um corpo robusto e um visor ótico excelente. Liga quase instantaneamente e fica pronta a disparar. E, acima de tudo, entrega fotografias com cores muito agradáveis diretamente da câmara, com um grão que, quando surge, tende a ser mais bonito e menos intrusivo.

Há também um ponto que conta muito: um sensor de 12 megapíxeis dá frequentemente um resultado mais suave e orgânico do que sensores modernos de alta resolução. Isso significa que não precisas de usar as objetivas mais recentes e ultra nítidas para teres bom resultado, até vidro Nikon mais antigo pode ficar muito bem na D700.

Claro: em funcionalidades modernas (como desempenho de foco automático ao nível das mirrorless atuais, ou trabalho extremo em ISO elevado), a D700 não compete com corpos recentes. Mas se não precisas desses extras, a pergunta muda: por que pagar mais?

Se queres uma DSLR fiável, com controlos físicos, experiência clássica e ficheiros com personalidade, a Nikon D700 continua a ser uma opção que faz sentido... e dá vontade de sair para fotografar!


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