
Como fotografar concertos e música ao vivo
Publicado a 25 de setembro de 2026 por MPB
Fotografar concertos ao vivo é uma experiência única, repleta de bastante emoção: desde a energia do público, a iluminação dramática e aqueles momentos fugazes em que o artista e a plateia estabelecem uma ligação. No entanto, a fotografia de concertos não consiste em apenas apontar a câmara para o palco e esperar que resulte. É necessário ter conhecimentos técnicos, sentido de oportunidade, intuição e respeito, tanto pelo ofício como pelo ambiente. Seja qual for o teu objetivo, quer fotografar a tua banda preferida numa sala pequena ou sonhar com uma credencial para um grande festival, este guia vai ajudar-te a adquirir a confiança e os conhecimentos necessários para começares.
Neste artigo, o fotógrafo especializado em música e jornalista James Joiner explica que equipamento é imprescindível, como configurar a máquina fotográfica para fotografar em condições de fraca luminosidade e como navegar pela etiqueta social do mundo dos fotógrafos. Com décadas de experiência em jornalismo tradicional, nomeadamente para a Esquire e o The Daily Beast, as palavras e imagens de James já surgiram em publicações como a Rolling Stone, a National Geographic, o New York Times, a GQ, a Outside e a Cosmopolitan. Com a orientação de James, irás aprender dicas práticas de composição, regras para trabalhar em salas, preparação para diferentes ambientes e como estabelecer relações com publicações.
Se te perguntas como conseguir a tua primeira credencial de fotografia, ou porque é que os tampões para os ouvidos pertencem à tua mala de equipamento, estás no sítio certo. A palavra é tua, James.

James Joiner | Willie Nelson | Fujifilm X-T3 | Fujifilm XF 50mm f/1.0 R WR | 50mm | f/1.0 | 1/500 | ISO 1600
Dicas para começar a fotografar concertos
A fotografia de concertos é uma das principais formas de entrar no mundo da fotografia, sobretudo para os mais novos. Quem nunca esteve num concerto e reparou nos fotógrafos junto às laterais do palco ou a movimentarem-se com destreza no meio da multidão? Para quem gosta de música, mas não tem talento para a tocar, esta é a forma perfeita de entrar gratuitamente, contribuir para a cena cultural, conhecer pessoas interessantes e, pelo menos durante as três primeiras músicas, ficar com o melhor lugar da casa.
Soa bem, não soa? Queres experimentar fotografar uns concertos? Se sim, então vamos a isso.
Em primeiro lugar, vais precisar de uma câmara, acredita que a do smartphone não é suficiente. Escolher o teu primeiro equipamento profissional pode assustar, com tantas marcas e palavras técnicas pelo meio. No entanto, fica mais fácil quando te lembras de que a câmara é uma ferramenta. É verdade que precisas da ferramenta certa para o trabalho, mas isso não significa que tenhas de gastar uma fortuna no último modelo do mercado. A maioria das câmaras digitais de gama média a alta fabricadas nos últimos dez anos cumpre a sua função e, mesmo que já existam três versões mais recentes daquela que escolheres, as melhorias são graduais e não revolucionárias.

James Joiner | Cat Power | Nikon Z9 | Nikon Nikkor Z 24-70mm f/2.8 S | 32mm | f/2.8 | 1/640 | ISO 1600
Equipamento essencial para fotografia de concertos
Aqui ficam os requisitos essenciais que deves procurar numa câmara para fotografia de concertos, sendo que estes requisitos são fundamentais para a qualidade das fotografias tiradas.
Sensor full-frame. Refere-se ao tamanho do sensor de imagem, ou seja, à parte da câmara que capta a fotografia. O formato full-frame tem o mesmo tamanho de um fotograma de película de 35mm, ao passo que o formato APS-C (por vezes designado por "crop") é 1,6 vezes mais pequeno. A minha recomendação é optar pelo full-frame, sendo este o nosso foco. Um sensor maior permite a captação de mais luz, o que se traduz num maior potencial de qualidade de imagem, sobretudo em situações de fraca luminosidade, como os concertos.
Boa capacidade em ISO alto. Dado que vais fotografar em ambientes escuros, é importante que a câmara recolha o máximo de luz possível. Qualquer câmara full-frame fabricada após 2014 é mais do que suficiente.
Foco competente. As câmaras modernas estão equipadas com todo o tipo de tecnologia de focagem automática, capaz de reconhecer objetos e de acompanhar aves em pleno voo. Embora impressionante, é em grande parte desnecessário neste contexto. Só é necessário conseguir fixar um ponto de foco central no assunto, o que é fácil.
Alcance dinâmico. O alcance dinâmico é, de forma geral, a quantidade de detalhes nas sombras e nas luzes altas que o sensor consegue captar. Se fotografares em RAW (já lá vamos), tens margem de sobra para editar.
Objetivas intercambiáveis. Isto não é negociável para profissionais. Sim, há câmaras topo de gama de objetiva fixa que tiram fotografias fantásticas, mas em música vais querer trocar de uma grande angular para uma teleobjetiva conforme a situação exigir.
Ótimas câmaras para fotografia de concertos

Nikon Z8 em segunda mão
Nikon Z8
Se tiveres algum dinheiro de lado, a Nikon Z8 é um bom investimento para o teu futuro e garanto-te isso pessoalmente. Tem um sensor de alta resolução que, quase por magia, controla o ruído em ISO alto e o banding. Tem também um obturador silencioso e sem blackout, uma estabilização de imagem sólida e a possibilidade de usar a maioria das objetivas modernas Nikon F através do adaptador FTZ.
Vê como esta poderosa câmara mirrorless se porta no terreno, com a análise da Nikon Z8 para fotografia de paisagem, feita por Alex Armitage.

Canon EOS R6 em segunda mão
Canon EOS R6
Com um equilíbrio perfeito entre o custo (sobretudo em segunda mão) e as características profissionais, a Canon EOS R6 é uma câmara full-frame acessível que te acompanha e cresce contigo. Os seus 20 megapixéis são mais do que suficientes para captares todo o detalhe de que precisas, sem gerar ficheiros demasiado grandes nem o ruído associado a um ISO elevado, que é comum nos sensores de maior resolução.

Emily Jade | Canon EOS R6 | Canon RF 24-240mm f/4-6.3 IS USM | 52mm | f/6.3 | 1/250 | ISO 10000
Junta-lhe um foco excelente (mesmo com pouca luz) e uma vasta escolha de objetivas, e não tens como falhar.

Sony A7R IV em segunda mão
Sony A7 IV
A Sony A7 IV combina uma velocidade notável, precisão em condições de fraca luminosidade e uma grande versatilidade num único corpo elegante. O seu sensor full-frame de 33 megapíxeis produz imagens nítidas e ricas, mesmo sob uma iluminação traiçoeira do palco, enquanto o foco mantém os artistas nítidos. O impressionante alcance dinâmico da A7 IV faz desta uma câmara perfeita para o mundo imprevisível da música ao vivo. Combina tudo isto com um disparo contínuo rápido e um desempenho notável em ISO elevado, a A7 IV garante que não perderás o teu ritmo ao fotografar, literalmente.

Deanie Chen | Sony Alpha A7R IV | 23mm | f/2.8 | 1/250 | ISO 640
A Sony A7 III é outra opção a considerar, pois apresenta um desempenho igualmente bom para captar espetáculos musicais ao vivo.

Canon EOS 5D Mark IV em segunda mão
Canon EOS 5D Mark IV
Lançada originalmente em 2016, esta versão da lendária e revolucionária série full-frame 5D de DSLR da Canon está por trás de incontáveis imagens icónicas que reconhecerias de imediato. E ainda que tenha uma década, a Canon EOS 5D Mark IV continua a dar cartas.
O seu sensor full-frame de 30,4 megapíxeis capta cor e detalhe mesmo em iluminação complicada, e a ampla gama de ISO dá-te folga em exposições difíceis. O foco de 61 pontos garante um seguimento de sujeito fiável e a velocidade de rajada de sete fps mantém-te no momento sem perderes instantes-chave. Junta a construção robusta da Canon, os dois slots de cartão para maior descanso e a boa autonomia de bateria (cerca de 900 disparos por carga), e tens uma máquina de trabalho pronta para o palco.

James Joiner | Charli XCX
As melhores objetivas para fotografia de concertos
Digamos que a objetiva é a parte mais importante de qualquer equipamento. Não interessa quão incrível é a tua câmara: a imagem só será tão nítida quanto a janela por se onde olha. À medida que te solidificas no ramo fotografia, as objetivas serão o investimento mais importante que vais ter de fazer. São também o que mantém mais valor, caso um dia decidas trocar para melhor ou mudar de baioneta.
Objetivas zoom
Objetivas zoom dão-te a flexibilidade para te adaptares em segundos enquanto fotografas concertos. Passas sem esforço de um grande plano dramático do vocalista a meio de um grito para um enquadramento aberto de todo o palco. Em vez de andares a trocar de objetivas no meio do concerto, moves-te entre planos abertos da multidão e retratos íntimos do artista. Essa versatilidade não só poupa tempo, como te ajuda a fotografar imagens mais dinâmicas. Num ambiente onde tudo é imprevisível, uma objetiva zoom é o teu melhor acesso aos bastidores.

James Joiner | Trey Anastasio of Phish | Nikon D800 | Nikon AF-S Nikkor 24-120mm f/4G ED VR | 105mm | f/5.6 | 1/40 | ISO 1250
Objetivas de focagem fixa
Objetivas de focagem fixa ixa trazem velocidade e nitidez para o centro do palco. Com as suas aberturas amplas, deixam entrar imensa luz, o que as torna perfeitas para salas escuras com iluminação de ambiente. Essa luz extra dá-te velocidades de obturador mais rápidas, para congelares o salto de um guitarrista ou captares um baterista a meio de um solo com todo o detalhe. Além disso, oferecem muitas vezes um bokeh macio com uma precisão de gume afiado, que faz o teu sujeito destacar-se no caos da multidão. Prendem-te a uma única distância focal, mas essa limitação criativa pode obrigar-te a encontrar perspetivas únicas que captam a energia do concerto.
Equipamento e acessórios adicionais para fotografia de concertos
Há inúmeras opções de acessórios, mas apenas alguns são mesmo essenciais. Baterias extra, cartões de reserva, uma boa correia e uma mala discreta são o que faz a diferença numa noite de trabalho.
Baterias extra
Tem sempre pelo menos duas baterias carregadas e prontas a usar. Não há nada pior do que a câmara morrer mesmo quando algo épico acontece. E algo épico acontece sempre no momento em que a câmara morre.

James Joiner | Iron & Wine
Cartões de memória de reserva
É raro um cartão SD falhar, mas convém ter reserva. Também não vais querer ter de escolher, a meio do concerto, que fotografias apagar de um cartão cheio para continuares a disparar. A maioria das câmaras profissionais aceita dois cartões, por isso leva pelo menos dois. Procura cartões de maior capacidade, que guardem muitos dados, e certifica-te de que são rápidos. Até a câmara mais veloz vai ficar lenta se não conseguir gravar as imagens ao ritmo a que disparas, e isso não é preocupação para se ter em pleno concerto.
Uma boa correia de câmara
Quase todos os corpos de câmara vêm com uma correia da marca, e (quase) todas são fraquinhas. As correias de outras marcas, como as da Peak Design, são bem mais confortáveis, resistentes e estáveis para horas a fotografar.
Mala de câmara discreta
Evito malas que pareçam sacos de equipamento caro fáceis de roubar e prefiro malas estilo mensageiro, elegantes e com acesso rápido para trocar de objetiva em segundos. Costumam passar despercebidas e não te atrasam nem te obrigam a pousar o teu investimento no chão de um sítio escuro. Eu uso as Peak Design Everyday Slings e nunca me arrependi.

James Joiner | The Pixies | Nikon Z9 | Nikon AF-S Nikkor 200-500mm f/5.6E ED VR | 480mm | f/5.6 | 1/125 | ISO 3200
Melhores definições de câmara para fotografia de concertos
Fotografa em RAW
A maioria dos profissionais fotografa em RAW, e tu também deverias. Aprende os pontos fortes e fracos da tua câmara e repara no que mais mexes durante a edição.
Por exemplo, descobri que as minhas Nikon recuperam melhor sombras do que luzes altas, ou seja, consigo tirar detalhe de uma zona escura, mas fico praticamente preso a uma luz alta queimada. Com isto, aprendi a fotografar cerca de um stop subexposto, para me dar o máximo de opções na pós-produção.

James Joiner | Nikon D750 | Nikon AF-S Nikkor 35mm f/1.4G | 35mm | f/1.4 | 1/160 | ISO 1250
Definições de ISO
As câmaras full-frame modernas têm excelente comportamento em pouca luz e boa gama dinâmica em ISO elevado, muito além do que o filme alguma vez conseguiu. Ainda assim, quanto mais alto o ISO, mais ruído e degradação de imagem existem, e menos margem de edição terás mesmo num ficheiro RAW. As imagens começam a "desfazer-se": ruído a mais, grão, menos saturação de cor e menor nitidez.
Podes corrigir alguns problemas de ISO alto com as ferramentas de redução de ruído nos programas de edição, mas a partir de certo ponto as imagens começam a parecer pinturas pesadas. Eu, muito raramente, passo do ISO 3200. Em vez disso, presto atenção à própria iluminação de palco do artista, que por norma se intensifica nos momentos mais dramáticos. E não tenhas medo de abraçar a escuridão. Às vezes, o que não mostras conta uma história bem mais forte do que aquilo que atiras à cara das pessoas.
Modo manual
Se vais ter todo o trabalho de arranjar este equipamento, aprender a usá-lo e conseguir acesso para fotografar, porque não haverias de ser o mais intencional possível a mostrar a tua visão? As câmaras têm vários modos, do totalmente automático à prioridade à abertura e ao obturador, em que escolhes um dos dois e a câmara faz o resto. Ignora-os. Faz de conta que não existem. Se queres mesmo aprender isto, fotografa em manual total.

James Joiner | Wayne Coyne of The Flaming Lips | Nikon D800 | Nikon AF-S Nikkor 24-120mm f/4G ED VR | 120mm | f/5.6 | 1/160 | ISO 800
Velocidade do obturador
Há truques, no entanto. Uma banda de rock com um vocalista que se move depressa devia exigir uma velocidade de obturador rápida, certo? Sim. Mas também podes experimentar "arrastar" o obturador (torná-lo mais lento) para dar sensação de movimento através do desfoque, ou tentar acompanhar o sujeito com a câmara enquanto ele se move para o fazer parecer em movimento no enquadramento. As luzes de palco em estroboscópio funcionam como um flash, congelando a ação mesmo com um obturador um pouco mais lento. Podes ainda usar essas luzes intensas para fechar a abertura, criando efeitos como estrelas de luz, em que as fontes de luz aparecem como flares de várias pontas.
Ao configurar a tua nova câmara, percorre o menu. Eu ajusto definições como o "wrap around" do ponto de foco, para que, quando empurro um ponto de foco até à margem do enquadramento ou do visor, ele reapareça no lado oposto. Também ligo o "foco automático em pouca luz" e desligo a "redução de ruído em ISO alto". Vais querer ainda desativar a lâmpada de assistência ao foco da câmara, que dispara um laser vermelho para o teu alvo. Por fim, desligo todos os sons da câmara e desativo a revisão automática.
Dica de profissional: as câmaras digitais têm uma quantidade infinita de "rolos fotográfico" para usar. Dispara muito. Não tenhas vergonha. Não tens de editar cada imagem, e aprende-se mais fazendo e olhando para os resultados do que a poupar disparos. Na dúvida, tira a fotografia.

James Joiner | White Denim | Nikon Z7 II | Nikon Nikkor Z 70-200mm f/2.8 VR S | 77mm | f/3.2 | 1/100 | ISO 640
Como começar
Começa por fotografar bandas de amigos ou, melhor ainda, encontra uma sala pequena de que gostes (uma como o LAV, em Lisboa, ou o Maus Hábitos, no Porto), fica a conhecer o staff e os artistas e fotografa ali durante algum tempo. Isto deixa-te ganhar prática (como interagir com artistas, público, staff, outros fotógrafos) e construir um portfólio antes de arriscares em algo mais exigente. Quando te sentires à vontade, contacta promotores e salas locais um pouco maiores do que aquelas onde tens andado a aprender.
Ao fazê-lo, mantém o sentido de realidade. Não podes esperar saltar de um open mic num café para a Charli XCX na Altice Arena. Identifica sítios por onde passam artistas mais pequenos em digressão e fica a conhecê-los. Grande parte do meu sucesso inicial com bandas "maiores" aconteceu porque as bandas com quem já trabalhava foram crescendo.
Entretanto, escreve e apresenta-te aos editores de cultura dos jornais e sites da tua zona. Envia-lhes imagens de vez em quando. A tua cena tem um blogue de música que toda a gente lê? Assim que tiveres alguns contactos, procura concertos que estejam para vir, que te interessem e que façam sentido para os leitores deles, e envia uma proposta para os fotografar. Sê sociável e simpático desde o início. Quantas mais pessoas, artistas, editores e managers conheceres, mais acesso vais acabar por ter.

James Joiner | Jack Johnson
Como propor o teu trabalho
Há três tipos de propostas: uma a um editor, uma à sala ou promotor e uma a um assessor de imprensa.
Um bom pitch editorial tem de ser curto e direto. Diz-lhes a banda, a sala e a data, porque é notícia, e mostra alguns exemplos do teu trabalho. É isto. Confia em mim. Toda a gente recebe emails a mais e, se for preciso mais explicação, é porque não devias estar a propor aquilo. Se quiserem saber mais, fazem perguntas. Quando já estiveres estabelecido e tiveres uma relação, podes esticar a corda, mas primeiro têm de te conhecer e confiar em ti.
Se não tens um meio para o qual fotografar, mas queres mesmo fotografar um artista em particular, tenta a sala ou o promotor. Lembra-te: até te conhecerem a ti e ao teu trabalho, é provável que não seja um trabalho pago. Vais ter de pagar o teu tributo e partilhar imagens, e este é uma das raras vezes na carreira em que faz sentido fazer algo "pela exposição" em vez de pelo dinheiro.
Por fim, podes sempre tentar chegar à equipa de imprensa do artista através do Google (procura o nome do artista mais "assessor" ou "contacto de imprensa") ou das redes sociais.
Assim que tiveres luz verde, cumpre a tua parte do acordo. Idealmente, estes são contactos que vais manter para o resto da carreira e que te podem apresentar a mais gente à medida que cresces. Quando dás por ti, estás a procurar as pessoas de imprensa de uma banda e descobres que tens uma relação com um antigo colega, e estás dentro.

James Joiner | Solange
Dicas essenciais para fotografia de concertos
Conseguiste! Tens autorização para fotografar e chegou a hora do concerto. E agora?
Chega cedo, apresenta-te e não publiques as credenciais
Vai ao balcão de levantamento e recolhe as tuas credenciais assim que as portas abrirem. Fazê-lo cedo ajuda-te a resolver problemas, como o teu nome não estar na lista, e dá-te tempo para conhecer a sala. Descobre logo se há fosso de fotografia e o quão acessível é. A maioria dos concertos só deixa os fotógrafos disparar as primeiras três músicas a partir do fosso, mas muitos não têm problema que fotografes do resto da sala depois disso.
Nunca publiques uma fotografia das tuas credenciais. É má educação e, ainda que algumas pessoas não se importem, outras importam-se mesmo. Toda a equipa sabe que não se faz, e fazê-lo só te faz parecer pouco profissional.
Quando chegares, apresenta-te à segurança e sê simpático com toda a gente. Isto é fundamental. Puxa conversa, mantém a humildade e não te metas no caminho de ninguém, seja do staff, da banda ou dos fotógrafos da sala. Se estiveres num bom sítio, tira as tuas fotografias e depois circula.
O artista vai-se embora amanhã, mas tu provavelmente vais voltar em breve, por isso não irrites ninguém. Isso fará uma grande diferença.

James Joiner | Father John Misty
Regras de etiqueta no fosso de fotografia
Quando o concerto começa e estás a fotografar, não incomodes o público. As pessoas compraram bilhete para ver um artista que adoram e não querem saber de te veres livre para a tua fotografia. O concerto é para elas, e sempre que interferes com essa experiência, estás a estragar tudo. Sê educado, pede desculpa se tapaste a vista de alguém e não fiques mais do que uns segundos.
Leva tampões para os ouvidos e protege a tua audição. O fosso costuma ficar mesmo à frente das colunas, por isso levar tampões de boa qualidade é tão importante como levar o teu melhor equipamento. Passar horas à frente de colunas a rebentar pode prejudicar seriamente a tua audição, e uns bons tampões não só protegem os ouvidos como te ajudam a concentrar na fotografia.
E não uses flash nos concertos. Distrai artistas e público e pode dar em pessoas irritadas a gritar contigo. (Ainda bem que levaste os tampões.)

James Joiner | Willie Nelson | Nikon Z9 | 135mm | f/2.5 | 1/640 | ISO 800
Etiqueta com o artista e nas redes sociais
Se captares uma fotografia embaraçosa, polémica ou simplesmente pouco favorável de alguém, sobretudo fora da atuação, apaga-a. Não a partilhes. Seja qual for o embalo que possas ganhar nas redes sociais, não vale a pena seres a pessoa que publica aquela imagem. Lembra-te: se o artista fica mal, tu ficas mal.
Se te vires perto de um artista, não sejas ajas de forma estranha. Não digas coisas como "quanto o segundo álbum te mudou a vida". Se estás ali com uma credencial de fotografia, não fazes parte do público: estás a trabalhar. Age em conformidade e mantém tudo profissional.
Se estiveres com um artista fora do palco, deixa a câmara na mala. Não tentes roubar uma fotografia de bastidores nem apanhar alguém a fazer algo que não quereria tornar público. A fotografia assenta em respeito e confiança, é fácil de perder e quase impossível de recuperar.
Conhece o artista e conecta-te com o mesmo
Se vais fotografar alguém que não conheces, pesquisa o seu catálogo. Vê vídeos da digressão para perceberes o que vai acontecer e quando. Uma pequena pesquisa pode fazer a diferença entre fotografias razoáveis e fotografias épicas.
O mesmo vale para as salas. É por isto que compensa chegar cedo e explorar. Vê também as redes sociais para perceberes o ambiente. Imagina-te lá: quais são os melhores pontos de vista? Onde são tiradas a maior parte das fotografias de "herói"? Eu gosto de saber isso, para poder evitar tirar as mesmas fotografias que toda a gente. Se encontrares a tua própria forma de mostrar artista e ambiente, as tuas imagens vão destacar-se.

James Joiner | Modest Mouse
Fotografei imensos artistas de todos os tamanhos e géneros ao longo dos anos, e aprende-se a fazer render qualquer situação. Mas quando há mesmo química com alguém, pode acontecer magia a sério. Conheci o Isaac dos Modest Mouse porque me mandaram entrevistá-lo por volta de 2013. Para ser sincero, não me apetecia nada, ao ponto de levar comigo a minha filha, ainda mal adolescente. Pois bem, o Isaac e eu demo-nos logo bem, e toda a família Modest Mouse me recebeu de braços abertos. Temos hoje um corpo de trabalho colaborativo que atravessa mais de uma década. Poder documentar o mundo deles, nos bastidores, no estúdio, no palco, com uma intimidade tão à vontade, foi um dos maiores privilégios da minha vida, e ainda ganhei um punhado de amigos para a vida.
Escolhe as melhores e partilha nas redes sociais
Se estás a fotografar para uma publicação, não partilhes nenhuma imagem antes deles. Nada desilude mais um editor de fotografia do que ver as tuas fotografias incríveis a rebentar no Instagram antes de as poder mostrar. Quando publicares fotografias, marca o artista, os membros da banda e a sala. Partilha só as tuas melhores.
Seja um único concerto ou uma digressão inteira, ninguém quer um filme em stop motion do evento todo, e nenhum editor de fotografia ou manager quer atravessar 250 fotografias da mesma coisa. Salvo indicação em contrário, escolhe no máximo 75 imagens por concerto, misturando verticais e horizontais. Tira planos abertos que mostrem todo o palco, planos ainda mais abertos que incluam a interação com o público e uns quantos da sala inteira. Apanha cada membro da banda e tenta captar momentos-chave, como coros ou participações especiais.

James Joiner | The Pixies | Nikon Z9 | Nikon Nikkor Z 24-70mm f/2.8 S | 70mm | f/3.2 | 1/125 | ISO 1600
Evita microfones à frente das caras
Há anos, o editor de fotografia da Rolling Stone mandou-me conduzir quatro horas de casa até Nova Iorque para fotografar os The National, e depois rejeitou quase todas as fotografias porque o topo do microfone tapava parte da cara do Matt Berninger. Lição aprendida, mas foi dura.
Foge dos clichés e pensa fora da caixa
Pelo menos ao início, evita clichés. As exposições múltiplas e fotografar através de cristais esquisitos podem dar resultados entusiasmantes, mas também se podem tornar uma muleta criativa e, quando abusadas, parecer truque barato. Trabalha com o que tens naturalmente à mão e, sobretudo no início, aperfeiçoa primeiro as competências básicas.
Uma coisa que me abriu a cabeça quando comecei a fotografar foi outro fotógrafo dizer-me para fotografar sempre de um ângulo que ninguém esperaria, em vez de apenas de frente. Encontra uma vista que normalmente não conseguirias ter. Trabalha o ambiente em que estás, seja usando luzes de Natal para criar um efeito de bokeh maluco, seja apanhando reflexos num vidro. Pois, eu sei que disse para evitares truques baratos. Se aquilo que estás a usar já faz parte do cenário, está tudo bem.
Por último, mas não menos importante: a fotografia de música é arte. Sente-te à vontade para esquecer tudo isto. Faz à tua maneira e sempre com humildade.
Obrigado por leres o Guia de Fotografia de Concertos e Música ao Vivo da MPB, o nosso olhar completo sobre como começar na fotografia de concertos, com recomendações de câmaras, conselhos e entrevistas com especialistas.
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